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A escola atual de ontem
Quinta-feira, Fevereiro 21, 2019

Hoje em dia, exige-se que o professor seja criativo na metodologia e estratégias de ensino e flexível para as “mudar” constantemente, se quiser ter sucesso e captar o interesse dos alunos e motivá-los para a aprendizagem.

A escola “formatada” em disciplinas não se compadece com a aquisição dos conhecimentos nem com a individualidade do aluno. Impondo o mesmo modelo académico para todos, disfarçado aqui e ali com adaptações ao currículo e com atividades transdisciplinares e interdisciplinares, esquece áreas consideradas menores (mais do que nunca!) ligadas às artes e às áreas vocacionais e profissionalizantes, exigindo que todos se sintam realizados.

Depois de muitas lutas para se conseguir mudar este paradigma, o governo atual exarou documentos que nos fizeram recuar trinta anos, pelo menos. A precariedade do sistema educativo instalou-se e o ataque à escola pública, a única que defende os interesses e luta pelo direito à educação de todos os jovens, tornou-se uma moda. Quando não se sabe dizer nada de jeito, diz-se mal. É uma forma de participar nas questões essenciais do nosso quotidiano, com desculpas esfarrapadas e afirmações, por vezes, anedóticas. E estas declarações ganham o primeiro prémio da idiotice, quando se ataca a classe docente. Os professores são pau para toda a colher, são os únicos educadores dos nossos jovens (os pais abstêm-se, não têm tempo a não ser para dizerem mal deles), são os que se preocupam efetivamente com o que os aflige, com as mudanças naturais de quem está a atravessar a fase difícil da puberdade e, como tal, são alvo das suas críticas, das suas reclamações… E, embora apelidados de incompetentes, o ministério entrega-lhes cada vez mais pastas: a Educação para a Cidadania, a Educação para a Saúde, a Educação para o Ambiente, a Educação para a Segurança e Bem-Estar, a Educação para o Consumidor… e ainda a Educação Financeira… Aos professores é-lhes negado o direito de terem vida própria.

E agora, mais uma vez, voltamos para trás. O Ministério descobriu outra vez (já se tinha esquecido!) que as disciplinas não são estanques e que deve haver interligação entre elas, para que os jovens se habituem a raciocinar… Os professores têm de elaborar projetos multidisciplinares. Esquece-se é que isso já existiu com a ÁREA-ESCOLA que foi atacada por todos os lados, mas que eu sempre defendi. Nessa área multidisciplinar, todos trabalhavam um tema comum dando o contributo de cada uma das disciplinas, ou seja, construíram projetos. Fizeram-se trabalhos lindíssimos e os alunos perceberam que afinal o Português não era só aquela disciplina “chata” das regras gramaticais e da construção frásica e que a Matemática é necessária no dia a dia e que a História faz parte de quem somos e seremos.

Pena é que, quando o Ministério decide alguma coisa, não consulte quem está no terreno. Poupávamos muito tempo e dinheiro (não é este o grande busílis da questão?) e o tão citado e maltratado Sistema Educativo Português poderia estar na vanguarda. Com a nossa mania de copiar… o que está errado… estamos destinados a andar sempre na cauda dos que já verificaram que o que estamos a adotar afinal não deu resultado.

Temos uma classe governativa feita de iluminados, desde o mais baixo escalão ao mais alto… Todos eles só olham é para o bolso… deles, claro…