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Erros e mais erros
Terça-feira, Agosto 11, 2020

Há cerca de 13 anos, a Assembleia de Freguesia de Caldelas, maioritariamente composta por membros eleitos pelo PSD, opôs-se com sucesso à construção de um prédio de grande volume na Alameda Rosas Guimarães – Avenida do Parque. Tentámos proteger o património urbanístico e natural da vila.

Ainda é actual, o caso do prédio Coutinho em Viana do Castelo em que o Estado, nós todos, já gastámos 20 milhões de euros para despejar os residentes e demolir o prédio. A razão para gastarmos 20 milhões de euros para demolir um prédio é o impacto urbanístico negativo que aquela construção importa naquela zona ribeirinha de Viana do Castelo.

Se esta razão é válida para Viana do Castelo, deveria sê-lo para o resto do país, sob pena de andarmos a demolir prédios em todo o lado.

A lição que deveria ficar do prédio Coutinho, em Viana, é a de evitar construir prédios de grande volume em zonas ribeirinhas ou próximas das costas marítimas.

A Câmara de Guimarães, aliada a uma ausência de massa critica na freguesia de Ponte e do seu Presidente, deixa acontecer autênticos atentados urbanísticos a julgar pela semelhança com o prédio Coutinho, em Viana.

Se os dois prédios implantados no Parque da Ínsua em Ponte são já dois monstros junto de um parque de lazer ligado a um rio, os actuais edifícios em construção tornam o local abjecto, contraditório, incoerente sob todos os pontos de vista, designadamente e ainda, sobre qualquer retórica arquitectónica justificativa.

A realidade mostra: dois edifícios com 7 pisos separados do parque de lazer por 5 metros. Só quem tem uma visão deturpada de que a construção só por si é sinónimo de crescimento e de desenvolvimento pode admitir e não censurar.

As obras aprovadas no concelho têm de reflectir do que é isso de um Concelho Verde e ecologicamente sustentável.

Sr. Presidente da Câmara de Guimarães e todos os seus vereadores, técnicos, arquitectos e engenheiros do regime, para, verdadeiramente se ascender a Concelho Verde, para se encher a boca de concelho ecologicamente sustentável, é necessário que as obras aprovadas não agridam o ambiente e a paisagem rural, como é o caso. Não se pode criar um excelente Parque de Lazer e depois cravar-lhe, bem em cima dele, mais dois monstros de betão que afectam de sobremaneira a paisagem natural do local e constituem uma invasão injustificada na privacidade, intimidade e ocupação saudável do parque de lazer.

Infelizmente, com excepção da cidade onde não se pode mexer por força da classificação de património mundial, esta Câmara, onde toca e aprova, só faz asneiras.