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Entrevista aos smartini: depois dos palcos, o regresso aos discos
Entrevista aos smartini: depois dos palcos, o regresso aos discos
Sexta-feira, Novembro 18, 2016

Já são conhecidos dois dos quatro temas dos smartini, que farão parte do EP a lançar no dia 18 de Novembro. A banda está de regresso quase dez anos após “Sugar Train”. Falamos com o quarteto para perceber que trabalho é este e como chegaram até ele.

Como descrevem este novo disco?
João Paulo Duarte: Talvez este regresso mais sério estivesse já a brotar dentro de nós há algum tempo e isso espelha-se neste trabalho. São quatro temas enérgicos, upbeat, quase sem respiro. Nunca seguindo um fio condutor entre eles, mas sempre com a nossa identidade, com um resultado final de acordo com o que pretendíamos, isto é, um retrato dos smartini ao vivo.

Quais foram os desafios das músicas novas e quais são os temas que abordam?
Lourenço Mendes: O EP Liquid Peace, procurou na realidade enveredar por um caminho que ainda não tinha sido explorado pela banda. Este trabalho assentou num som singular, que poderá ter sido originado por uma nova abordagem da afinação entre guitarras. O EP é formado por quatro temas cuja correlação entre eles é pouco visível. Podemos mesmo considerar que, dentro de cada tema, parece não haver conexão entre as frases. A ligação só se dá após uma análise cuidada. O tema ‘Liquid Peace’ é, por assim dizer, um tema que apela ao instinto paternal e descreve o tempo de infância/ adolescência como sendo o melhor. Neste caso o termo liquid peace é associada ao líquido amniótico. ‘Little Dotted Trash’ consiste na descrição de um personagem anti-social que é associado a um pequeno ponto reduzido a lixo. ‘Those Lines’ retrata a dualidade entre o amor e o ódio. As linhas referidas na letra e no título, procuram retratar as rugas provocadas pela angústia e pela ansiedade de uma mulher que atravessa uma depressão profunda. ‘The Pleasure of Details’, é uma canção multi-temática que retrata o estado de desorientação e que procura provar o quanto é importante estarmos atentos aos detalhes.

O disco anterior vai fazer dez anos. Como é que olham para ele, passados estes anos todos?
Ricardo Costa: Sugar Train foi o primeiro registo que lançamos e, como é normal, houve coisas que correram menos bem e que agora procuramos corrigir. Foi um trabalho com uma produção mais abrilhantada, mas que não conseguiu demonstrar aquilo que efetivamente somos ao vivo. Tínhamos várias vezes esse feedback de quem assistia aos nossos concertos. O que é certo é que foi um trabalho que nos levou a conhecer muitos palcos, novas abordagens, novas mentalidades e principalmente conviver com o que se faz melhor no panorama nacional. Nunca nos arrependemos do que nos trouxe até aqui e é chegada a hora de olharmos o futuro, sem preocupações de registos comerciais, ou de agradar a massas, mas sim fazermos aquilo que nos realiza e a quem gosta, procura e aprecia aquilo que fazemos. Pretendemos construir o nosso futuro, com os nossos registos, a nossa marca e com uma evolução onde incorporamos as influências de cada elemento da banda.

A forma de compor é hoje diferente da que tinham há 10-15 anos?
Patrício Ferreira: Como o Lourenço já referiu, o EP é composto por quatro temas. São originários de arquétipos que fomos amadurecendo ao longo de vários ensaios. Na realidade temos muitos outros nos nossos arquivos que queremos e devemos amadurecer e, quem sabe ao longo dos próximos meses, apresenta-los ao vivo em novos temas. É esta a base do nosso processo criativo: no surgimento de um riff de guitarra, de uma linha de baixo ou de um ritmo que se estruturam os temas. O que mudou nos últimos anos na composição, deve-se essencialmente à tecnologia existente. É mais fácil hoje registar digitalmente nos ensaios ideias que podem não progredir em determinado momento, mas que noutro contexto e com outra disposição resultam no esqueleto de uma música. Posteriormente vão surgindo ideias, e todos intervém em qualquer dos instrumentos. A parte das letras fica a cargo do Lourenço, como o foi em todo o historial da banda.

Entrevista Paulo Dumas