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Encontro internacional aponta o foco para a preservação do património industrial
Encontro internacional aponta o foco para a preservação do património industrial
Paulo Dumas
Terça-feira, Novembro 21, 2017

O encontro reuniu vários agentes ligados à salvaguarda e preservação patrimonial. A quinta edição do encontro debruçou-se sobre o património industrial e a sua museologia. Foram feitas duas comunicações que abordaram a fábrica de pentes Carregal e o Hotel das Termas.

Especialistas, investigadores e estudiosos das questões do Património estiveram reunidos em Guimarães no passado fim de semana, a propósito do V Encontro Internacional sobre Património Industrial e sua Museologia, que decorreu entre as instalações da ACIG e da Sociedade Martins Sarmento.

Nas duas dezenas de comunicações ouviram-se representantes de instituições provenientes de vários pontos do país, do norte de Espanha e ainda do Brasil. O evento teve como objetivo a divulgação, consolidação e partilha de experiências sobre património industrial, assim como a sua museologia.

Além da decisão de organização de uma nova edição do encontro internacional em 2019, os participantes aprovaram uma proposta que visa sugerir à Câmara Municipal de Guimarães a criação e aplicação de um Regulamento de Incentivos Financeiros e Fiscais para Património Industrial. O autarca Domingos Bragança, que esteve presente na sessão de abertura do encontro, apontou como possibilidade a criação de um espaço museológico na Fábrica do Castanheiro.

Duas comunicações estiveram focadas em motivos relacionados com a vila de Caldas das Taipas. António José Oliveira abordou a construção do Hotel das Termas, análise que abarcou o período compreendido entre 1915 e 1923. Carlos Marques abordou a indústria penteeira na vila, tomando como ponto de referência a existência do “último penteeiro”.

A dinâmica do termalismo taipense
A comunicação de António José Oliveira, que decorreu durante a tarde do primeiro dia do encontro, começou por abordar a forma como foi contratualizada a concessão da exploração das águas termais, processo que se iniciou em 1905 pela Câmara Municipal de Guimarães. Os recursos termais passariam pelas mãos de José Antunes Machado e depois, já em 1910, os direitos viriam a ser cedidos à denominada Empresa Termal das Taipas SARL.

Durante o período abordado, a vila das Taipas beneficiou da construção de um conjunto de equipamentos. Os mais emblemáticos terão sido a construção de um novo balneário (os Banhos Novos) e uma unidade hoteleira que acompanharia as tendências mais atuais à época ao nível da sua qualidade.

António José Oliveira afirma mesmo que a construção do Hotel das Termas em 1915 foi um momento basilar no “fomento da indústria termal e hoteleira nas Taipas”. Um edifício cujo projeto desenhado pelo arquiteto Eduardo da Costa Alves trazia as tendências estéticas provenientes do centro da Europa.

Apesar de ter ficado concluído apenas em 1923, o hotel foi inaugurado em 1918, na mesma altura em que entravam também em funcionamento o Hotel Termal de Caldas da Saúde e o Salus-Hotel Vidago. Ainda de acordo com o historiador, a qualidade deste equipamento refletia “a dinâmica do termalismo taipense”, que chegou a ter hospedado, em 1940, o Presidente da República, General Óscar Carmona.

Os pentes de chifre do Carregal
Jorge Teixeira é hoje conhecido carinhosamente pelas gentes da vila das Taipas como o Teixeira dos Pentes. Foi sobre esta história familiar de penteeiros de Caldas das Taipas que Carlos Marques discorreu na sua comunicação no encontro de património industrial. A Fábrica Carregal é, segundo o autor, única no país.

Com uma história com três gerações, a fábrica dos pentes Carregal teve a sua origem na pessoa de António Teixeira, avô de Jorge Teixeira, que teve a sua pentearia no Lugar do Cano, em Guimarães. Nas Caldas das Taipas viria a instalar-se em 1951 a fábrica de João Teixeira (filho de António e pai de Jorge). Primeiro no Carregal e depois no Montinho.

Na fábrica Carregal, batizada em homenagem a Maria Elisa, mulher de João; e em referência à primeira localização da fábrica, conservam-se ainda a maquinaria, utensílios e até matéria prima. É, segundo o autor, a única fábrica nestas condições existente no país, o que leva Carlos Marques a defender a sua salvaguarda.