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Elisabete Matos na direção artística do festival de música religiosa de Guimarães
Elisabete Matos na direção artística do festival de música religiosa de Guimarães
Paulo Dumas
Quarta-feira, Março 14, 2018

A direção que, pela primeira vez, toma em mãos a programação do festival procura transformar o evento vimaranense numa referência no contexto europeu. Tudo partindo do trabalho artístico existente em Guimarães e chamando nomes consagrados a nível internacional.

Foi apresentado o programa do Festival Internacional de Música Religiosa de Guimarães, que acontece na cidade a partir de 24 de março, até ao final do mês. Elisabete Matos e Augusto Alvarez são, pela primeira vez, os diretores artísticos que elaboraram o programa, com propósitos de engrandecimento do festival e da sua projeção internacional.

Esta é a primeira edição que conta com nomes internacionais em cartaz, marcando assim o ponto de internacionalização do evento. Elisabete Matos explicou a sua ambição de criar em Guimarães um festival à imagem do Festival de Salzburgo, que se realiza na cidade austríaca desde 1920. Nesta altura do ano, procura-se também aproveitar a presença de turistas em visita à cidade, sobretudo provenientes da Galiza – um público que já tem visitado o festival em edições anteriores.

Ainda de acordo com declarações de Elisabete Matos durante a sessão de apresentação do festival, que decorreu terça-feira, 13, no Museu Alberto Sampaio, há uma aposta assumida em convocar um elevado nível de qualidade, ao mesmo tempo que se valoriza o trabalho que vem sendo desenvolvido na cidade, com o convite dos grupos corais, do Quarteto de Cordas de Guimarães e da Orquestra de Guimarães.

Ainda, como ponto de partida para a construção do programa, procurou-se a valorização das raízes de onde proveem muitos músicos profissionais, que no Minho, no norte de Portugal e em particular Guimarães, iniciaram os estudos de em grupos corais da região e em bandas filarmónicas. Este é o suporte para a chamada dos grupos corais para a Festa Coral, que será um momento que agregará os vários grupos num “momento de partilha da música”.

Na mesma ocasião, a veredora municipal para a cultura, Adelina Pinto, sublinhou a importância do festival de música religiosa no contexto do tempo da Paixão e da Ressurreição. Num momento de ponderação decorrente de este ser o primeiro ano com este pelouro, Adelina Pinto explicou que este evento está assente nos princípios de uma estratérgia da cultura para o território de Guimarães.

O Festival Internacional de Música Religiosa tem um orçamento de 50 mil euros. Foi dada uma especial nota, pelos responsáveis do evento, para o esforço no cumprimento do orçamento disponível na programação. De acordo com a direção do festival, o programa foi construído com base em critérios transperentes e rigorosos, na procura da projeção internacional e com a preocupação da formação dos públicos.

Programa procura reflexão espiritual na Paixão e Ressureição de Cristo
O programa propriamente dito será composto por onze momentos, em dez espaços da cidade, com destaque naturalmente para igrejas. Ao nível da internacionalização, o programa contará coma presença do Coro Gaos, da Galiza, que se apresentará na Igreja de S. Pedro, interpretando criações de Manuel Faria.

Do programa destaca-se ainda a interpretação das Cantatas de Vivaldi, serão interpretados dois textos que, não sendo religiosos, estão dentro do enquadramento do momento pascal. Nesta mesma altura será interpretada a peça “Nissi Dominus”.

A presença do compositor inglês Benjamin Britten é justificada por uma procura de alarmento do âmbito temporal normalmente abordado dos séculos XVII e XVIII. Aqui chega-se ao século XX, promovendo assim a representatividade dos vários períodos da história da música.

No dia da Paixão de Cristo será celebrada a Via Dolorosa, logo após um minuto de silêncio pela altura da morte de Jesus. Não se tratará de uma Via Sacra no formato tradicional. Será seguido um guião suportado pela declamação, por João Reis, de poemas da autoria de Augusto Alvarez e com acompanhamento à uma guitarra.

O momento de encerramento do Festival Internacional de Música Religiosa terá lugar no Centro Cultural Vila Flor. Será o único concerto com entrada paga de todo o cartaz. Nesta altura será interpretado o “Requiem à Memória de Camões”, do compositor português Domingos Bomtempo. Trata-se de uma obra coral sinfónica, que será interpretada pela Orquestra de Guimarães e será dirigida pelo Maestro Rui Pinheiro. Em palco estará também o coro da ESArte, com o Maestro Gonçalo Lourenço; e quatro solistas: Dora Rodrigues, Elisabete Matos, o tenor Mário João Alves e o baixo Nuno Dias.