Eleições autárquicas em contagem decrescente
Sexta-feira, Janeiro 27, 2017

No concelho de Guimarães já se respira um ambiente pré campanha eleitoral, bem patente nas inúmeras estruturas publicitárias que ocupam as principais rotundas da cidade e de outros locais estratégicos de passagem. Faltam ainda cerca de nove meses para as eleições autárquicas mas, para alguns partidos, a contagem decrescente já começou. Vamos sabendo pela imprensa local quem tem a intenção de continuar e servir a causa pública e os que a pretendem abandonar deixando para outros essa tarefa.

No último almoço de reis que o Partido Socialista vimaranense tem por hábito organizar anualmente, no seu discurso, o presidente da câmara Dr. Domingos Bragança anunciou a vontade do presidente da junta de Atães e Rendufe, eleito pela coligação de direita Juntos por Guimarães, de se recandidatar pelo PS. Em declaração posterior, e noutro local, o Dr. Domingos Bragança terá afirmado que possivelmente também o presidente da junta de freguesia de Ponte, igualmente eleito pela mesma coligação, faria o mesmo. Este cenário, que por vezes faz lembrar o mercado de transferências no futebol, não é novo e, como diria o outro, já estamos habituados.

O que realmente é novo é a antecedência com que estes enlaces foram publicamente anunciados, até porque a prática que tenho sobre esta matéria diz-me que estes divórcios, muitos deles previsíveis, foram sempre negados pelos protagonistas e só se anunciavam em cima do termo do prazo legal para a apresentação das candidaturas. Assim, a força partidária abandonada ficava com pouco espaço de tempo para reagir e encontrar uma alternativa credível, garantindo a possibilidade de sucesso do agora candidato opositor.

Instado a pronunciar-se sobre estas declarações, o responsável pela Junta de Atães/ Rendufe terá declarado que a sua disponibilidade para se candidatar como independente pelo PS não tem a ver com ideologias e que o que importa é resolver os problemas das pessoas independentemente da força política. Desvalorizando a questão da transferência disse que o actual presidente está melhor posicionado para solucionar as necessidades da freguesia.

Sem me alongar demasiado nestas declarações, e passando ao lado da necessária análise da ausência do conceito da palavra democracia e o que ela significa no exercício dos cargos públicos, concluo que o presidente da junta adopta a cor partidária do actual presidente da câmara, porque sendo os dois da mesma cor a possibilidade de realizar e concluir as necessidades da sua freguesia serão muito maiores e praticamente garantidas.

Tudo isto seria simples de facto, se não houvesse Povo que, na sua imensa sabedoria diz que não se deve contar com o ovo no dito cujo da galinha, e tem na sua mão o poder e a força de baralhar todas estas contas. Oxalá assim seja, mas mesmo não sendo como desejo, o desfecho destes casamentos anunciados provocaram já mau ambiente nos balneários locais da equipa principal.

Para o recém adoptado, o resultado eleitoral qualquer que ele seja ser-lhe-á indiferente, fazendo fé nas suas declarações, onde se pode ler que …o presidente de junta está aqui de passagem. Os políticos é que continuam…