PUB
Eleições à vista
Quinta-feira, Setembro 3, 2020

Estamos a pouco mais de um ano das eleições autárquicas e já cheira a campanha eleitoral.

Depois de 3 anos de pasmaceira, a enrolar o povo com promessas, notícias de lançamentos públicos de concursos, eventos para assinar contratos, festas para assinalar a abertura do livro de obra, e o que mais desse para inventar e continuar a alimentar a expectativa nas pessoas, eis que já se ouve o barulho das máquinas em algumas das obras prometidas.

Nada de novo aqui, é a velha estratégia política, quanto mais perto das eleições for a inauguração mais votos capitaliza. Não interessa que o interesse público seja relegado para segundo lugar, importa sim sobreviver politicamente, o que, para muitos políticos na nossa praça, significa manter o posto de trabalho, já que nunca exerceram funções fora da esfera do estado.

Mas para o ano será diferente. A pandemia veio pôr (ainda mais) a descoberto as carências dos nossos serviços públicos. Hospitais, escolas, serviços sociais, justiça, todos os serviços públicos funcionam com orçamentos abaixo do necessário e até do que seria aceitável. Todos estes serviços públicos têm falta de recursos humanos.

A forma como os hospitais se organizaram e resistiram ao pico da pandemia, sem nunca esgotar a sua capacidade mostra a excelência a abnegação dos nossos cuidadores. A forma como as escolas se reinventam e tentam responder, com os poucos recursos que têm, a todas as exigências e regras impostas pela tutela, mostra a fibra dos nossos educadores.

Somos um povo habituado a fazer muito com pouco. Das tripas do porco fizemos um prato nacional. Mas ainda não fazemos milagres. Os últimos meses ditaram um empobrecimento do país, das empresas e das famílias, e as previsões para os próximos tempos não são nada animadoras.

Há famílias que viram o seu rendimento, que já não era muito, cair e agora não conseguem fazer face a despesas básicas. Há empresas que ainda não podem trabalhar. Os pedidos de apoio social dispararam, e os orçamentos das instituições não estão preparados para dar resposta a este brutal aumento.

Associado aos problemas financeiros das famílias vêm os problemas sociais: aumento do desemprego, aumento da criminalidade dos tumultos e da violência, maior abandono escolar, incremento dos comportamentos de risco, aumento de episódios de doença…

Porque a estratégia política, neste país é sempre a da gestão da expectativa dos eleitores, uma promessa eleitoral rende 3 a 4 mandatos, o que veremos no próximo ano é um completo desfasamento das necessidades do país e o que os políticos terão a oferecer. O povo estará em 2021,  os políticos em 2017. Resta saber onde estará a memória de cada um.