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Editorial #271: Melhor, é impossível!
Quarta-feira, Janeiro 9, 2019

Há alturas em que pensamos que já vivemos o acontecimento que se está a desenrolar. Um desses momentos é a escrita do primeiro editorial de cada novo ano. Depois de 25 anos a viver esse momento, há anos em que ficamos na dúvida sobre o caminho a seguir na escrita.

A tendência, e assim deve ser, é desejar que o novo ano seja bem melhor do que o ano findo, relembrar o que passou e tirar as devidas ilações no sentido de a vida correr pelo melhor. Tenho uma pessoa próxima que, de há uns anos atrás, quando se lhe pergunta como está, a resposta é sempre a mesma: “Melhor, é impossível!”. Para além de outros aspetos mais pessoais, a resposta também transmite, acredito eu, a ideia de desvalorização daquilo que não é relevante na nossa vida e que deve ser ultrapassado para não complicar o que não deve ser complicado.

Não sei até que ponto esta frase, “melhor, é impossível!”, se aplicará ao ano de 2019. Se já vivi acontecimentos que nunca pensei que viessem a acontecer durante o meu tempo de vida, caso do 25 de Abril de 1974 (mesmo não sabendo, nessa altura, o que era a ditadura e a democracia), da “queda do muro de Berlim”, do esfrangalhar da URSS, do fim do regime comunista na Europa de Leste, do controlo da nossa vida pela internet e do aumento do radicalismo religioso, entre outros acontecimentos.

Em 2019, tudo aponta que viva novamente algo histórico. O Brexit será claramente, caso se concretize, o acontecimento do ano de 2019. Se fui entendendo o alargamento da UE para os países de Leste, nunca me passou pela cabeça que algum país desse o passo de querer sair da União Europeia, pelo menos de livre vontade.

Até porque tem uma relação direta com o Brexit (recorde-se que o referendo foi lançado por David Cameron para salvar as eleições de 2013), o chamado “populismo” continuará a afirmar-se em 2019.

O populismo, dizem, levou Trump ao poder nos EUA e Bolsonaro no Brasil. Dizem que depois da Polónia e da Hungria, passando pela Itália, o populismo chegará à França. Acrescento que esse mesmo populismo tem querido levar a independência à Catalunha.

Em Portugal, felizmente, não temos ido nesta onda e podemos dizer que o nosso populismo (ainda que com cunho à Portugal) se esgota numa só pessoa.

Uma última nota sobre o país, com eleições para o Parlamento Europeu a 26 de maio e para a Assembleia da República a 6 de outubro, em termos de luta política, “melhor, será impossível”.

Bom 2019!

Ponto Final. A Gala “ A Terra onde a Lua fala” foi realmente um acontecimento marcante de 2018, em Caldas das Taipas. Fica um agradecimento público a todos os que colaboraram direta e indiretamente para o sucesso da iniciativa que também ajudou a marcar os 25 anos do jornal Reflexo.