PUB
Editorial #268: A classe docente em Guimarães
Quarta-feira, Outubro 3, 2018

A educação está na ordem do dia. O ano letivo de 2017/18 acabou com greves da classe docente e o novo ano letivo começa novamente com greves no início de outubro.

Em cima da mesa está o pedido da recuperação do tempo de serviço que esteve “congelado” entre 30 de agosto de 2005 e 31 de dezembro de 2007 e entre 1 de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2017, o que perfaz os tais 9 anos, 4 meses e 2 dias que a classe docente pretende recuperar. Por sua vez, o governo pretende recuperar desse período 2 anos, 9 meses e 18 dias.

No trabalho hoje publicado pretendemos retratar parte da realidade que as escolas de Guimarães atravessam, no caso Agrupamento de Escolas das Taipas, Escola Secundária de Caldas das Taipas e Agrupamento de Escolas Francisco de Holanda. Foram analisadas três grandes áreas, como poderiam ser naturalmente outras temáticas. Tirando essas opções, o trabalho é baseado nos dados estatísticos fornecidos pelas escolas para o ano letivo de 2016/2017.

Há dados claros.

A classe docente está envelhecida, pelo topo e pela base. Mais de 56% têm mais de 50 anos e mais de 32% apresentam mais de 30 anos de serviço. Por outro lado, nenhuma escola apresenta qualquer docente com menos de 30 anos e somente 8% têm menos de 40 anos de idade. As possíveis causas para esta realidade também podem ser encontradas neste trabalho.

A comunidade educativa pode estar tranquila quanto à formação académica dos docentes destas escolas. 75% dos docentes são licenciados, 22% obtiveram um mestrado e doutoramento e somente 3% têm como base o bacharelato. Isto num ambiente onde as mulheres dominam, 86% são professoras.

As questões mais problemáticas prendem-se com as questões do posicionamento na carreira. Aqui o que o povo diz poderá prevalecer: “A mim não me interessa o que dizem que eu ganho, o que interessa é o dinheiro que levo ao final de cada mês”. Ou seja, na prática, os dados mostram que os professores, face ao seu tempo de serviço e aos condicionalismos de progressão na carreira, não estão nos escalões que deveriam estar.

A questão se o governo deve contar ou não todo o tempo em que os professores tiveram a sua carreira congelada é uma questão que já ultrapassa o objeto do trabalho apresentado e fica à consideração dos leitores.

Em várias discussões mantidas sobre os professores, a minha questão de princípio tem sido sempre a mesma: “O que é que o país quer em termos da educação?”. Depois de o país assumir esse desígnio é que se pode discutir objetivamente outras questões.

Ponto final: O nosso objetivo seria de apresentar e proceder ao tratamento dos dados estatísticos de todas as escolas do concelho de Guimarães. Foram convidadas outras escolas para contribuírem com os seus dados estatísticos, tanto da cidade de Guimarães, como outras escolas localizadas nas freguesias fora da cidade. Apesar de muita insistência nossa, não recebemos esses dados. O trabalho não fica fechado, caso essas escolas nos façam chegar a informação solicitada.