E se a Universidade do Minho fosse nas Taipas?
Quinta-feira, Outubro 31, 2019

Criada em 1973, pelo então ministro da Educação, Veiga Simão, num contexto de reforma do sistema educativo, os primeiros anos da Universidade do Minho foram marcados pela discussão da sua localização.

Braga ou Guimarães? A rivalidade das duas cidades minhotas foi atiçada na disputa da Universidade do Minho. Braga, por um lado, reclamava o seu direito “natural”, enquanto capital de distrito, já Guimarães, puxava da sua experiência industrial e proximidade das empresas. Politicamente a solução em cima da mesa era a da construção de dois polos, um em Braga, outro em Guimarães.

A comissão instaladora da Universidade do Minho, que geria a Universidade, tinha uma ideia muito clara, defendendo que a solução a adoptar deveria ser a de um “campo universitário” que agregaria todos os cursos. Justificava essa escolha com a optimização na gestão dos recursos humanos, com a economia no investimento de construção e de manutenção dos edifícios, e com a necessidade de promover aos alunos uma convivência e proximidade entre si.

É com este objectivo bem definido que a Universidade entrega, a uma empresa especializada, o estudo da melhor localização do “campus universitário”. Deste estudo surgem algumas propostas de localizações, sendo que há uma que se destaca em relação a todas as outras: Caldas das Taipas.

Para os técnicos que realizaram o estudo, Caldas das Taipas era a melhor escolha devido, à sua localização estratégica entre as duas cidades, à proximidade a alguns parques industriais, à morfologia dos terrenos que facilitavam a construção e claro, ao rio Ave que, paisagisticamente, embelezaria o campus universitário.

A construção do campus da Universidade do Minho nas Taipas iria ainda permitir o alargamento da malha urbana de Braga e Guimarães, criando assim uma zona metropolitana que iria rivalizar com o Porto e catapultar o desenvolvimento de toda a região Minho.

A decisão da localização foi um processo muito complicado. A pressão dos políticos e da sociedade civil de Braga e de Guimarães foi tremenda, já que nenhuma das cidades concordava com esta escolha. Cada uma puxava “a brasa à sua sardinha”, o que fez com que o processo de decisão demorasse anos. A escolha recaiu na solução politicamente correta: um polo em cada cidade, apesar dos enormes constrangimentos que essa solução trouxe para o funcionamento da Universidade e que duraram anos, até estabilizarem.

Mais do que contar a história da UM, o que pretendo é realçar as potencialidades da nossa Vila. Há 40 anos, técnicos independentes já sustentavam que Caldas das Taipas tinha capacidade para ser o polo dinamizador da região norte. Hoje podemos apenas imaginar como seria esta região, se a Universidade tivesse vindo para as Taipas.

Certamente teríamos outros problemas, mas creio que estaríamos melhor servidos, quer ao nível de vias de comunicação para Braga e Guimarães, quer ao nível da preservação do nosso património e desenvolvimento das nossas indústrias e comércio.

Quarenta anos depois, Braga e Guimarães continuam distantes e a região continua com grandes problemas de desenvolvimento. Caldas das Taipas é quem mais sofre com este afastamento e o mais difícil de aceitar, para nós taipenses, é que não crescemos não porque não temos potencial, mas porque não nos deixam.