Duas mortes por raio ocorridas em São Clemente de Sande, no verão de 1741
Quinta-feira, Setembro 12, 2019

Na investigação que empreendemos aos registos de óbito das freguesias que compunham o termo de Guimarães, nos séculos XVI a XIX, foi-nos possível detetar, nos milhares de assentos, situações rotineiras, mas também inusitadas. Um desses casos foi a morte provocada pela queda de um raio no Verão de 1741, que vitimou dois habitantes da freguesia de São Clemente de Sande (termo de Guimarães), contígua de Caldas das Taipas.

Por dois assentos de óbito redigidos pelo vigário António José Barbosa, da freguesia de São Clemente de Sande, temos conhecimento de que no dia 2 de julho de 1741, faleceram dois indivíduos dessa mesma freguesia, atingidos por um raio.

Segundo estes assentos de óbito é-nos dado a conhecer estes dois habitantes de São Clemente de Sande, que faleceram “da vida prezente sem sacramentos por morrer de repente de hum rayo”.

No primeiro assento, sabemos que uma das vítimas se chamava António Marques, sendo sepultado no interior da igreja paroquial da mesma freguesia, envolto num hábito de São Francisco. Foi-lhe celebrado um ofício de cinco padres, não tendo feito testamento nem outra disposição alguma. Era casado pela segunda vez, tendo do primeiro matrimónio quatro filhos.

Pela leitura do segundo assento, que se segue imediatamente ao anterior, sabemos que a outra vítima se chamava Manuel José Ribeiro morador no lugar do Fundão, da freguesia de São Clemente de Sande. Foi sepultado na igreja paroquial da mesma freguesia, envolto num lençol, sem qualquer sufrágio por ser pobre.

Estes dois assentos são extremamente interessantes, nomeadamente  por nos fornecerem dados sobre a incidência de mortes por este fenómeno natural, e por nos revelaram, que em julho de 1741, ocorreram descargas elétricas atmosféricas nesta zona do concelho de Guimarães.