PUB
Dialogar Com Amor
Terça-feira, Outubro 6, 2009

Ao falarmos do diálogo em si, podemos sublinhar alguns aspectos a ter em conta.

1. Tomar a iniciativa
Será cada pessoa que deve tomar a iniciativa de dialogar com as pessoas. Em vez de esperar que venham ao seu encontro, será cada qual a ir ao encontro do outro. Cada qual deverá sair da sua concha, onde se refugia longe dos outros, para aceitar o desafio de dialogar comunicando, na certeza de que assim se realizará como pessoa humana. Cada qual deve ter a preocupação de dar o primeiro passo, num grande desejo de criar comunicação.

2. Colocar-se ao mesmo nível do outro
O diálogo é possível quando os dialogantes se colocam ao mesmo nível. Isto significa que não há um acima do outro, numa atitude de domínio, mas estão ambos com o mesmo desejo de comunicar ideias, sentimentos, razões de viver. Trata-se de todos nos sentirmos iguais em dignidade, quaisquer que sejam os títulos académicos ou as funções que cada qual exerce na sociedade. Todos diferentes, mas todos iguais em dignidade e todos chamados a viver em fraternidade.

3. Escutar as palavras com atenção
A comunicação faz-se sobretudo com palavras. Por isso, cada qual deve ter os ouvidos bem abertos para escutar a mensagem do outro. Esta escuta é muito importante, pois facilmente pode acontecer uma pessoa estar a dizer uma coisa e nós estarmos a entender outra. Toda a atenção é pouca para entender qual a mensagem que nos é dirigida, isto é, para descodificar bem as palavras. Supõe-se que ambos falam a mesma linguagem.

4. Estar atentos à comunicação não-verbal
O outro comunica por vezes mais com as suas atitudes do que com as suas palavras. Por isso, cada qual deve estar também atento à linguagem não-verbal. Quem dialoga deverá colocar todo o seu corpo numa atitude de disponibilidade para escutar, olhos nos olhos, o que o outro tem para comunicar. Por vezes, as palavras podem ser intercaladas de silêncios, mas estes não devem meter medo, pois também podem ser eloquentes.

5. Um esforço de empatia
Cada qual, no momento do diálogo, deverá fazer um esforço para se “meter na pele do outro”, pois só assim conseguirá perceber quais os seus sentimentos, as suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças. A palavra “empatia” vem do grego e significa precisamente “sofrer com”, ou seja, ter o mesmo sentir. Este esforço exige de cada pessoa uma capacidade de sair de si própria para se colocar no lugar do outro, numa atitude de grande respeito pelas suas experiências humanas.

6. Não julgar o outro
Ao escutarmos o outro que comunica as suas ideias, sentimentos, ideais, nunca devemos colocar-nos numa atitude de juízes, prontos para julgar o que está correcto e o que está errado. Na verdade, num diálogo em clima de sinceridade e verdade, tudo deve merecer o nosso respeito. Mesmo que certas ideias nos pareçam erradas e certos sentimentos nos pareçam despropositados. É que cada pessoa tem o direito de ser aceite tal como é, na sua diferença.

7. Exercitar-se no diálogo
A prática e a experiência contam muito. Como a arte, o desporto, o estudo, também o diálogo requer preparação progressiva e paciente. Não basta querer; é preciso saber. Por conseguinte, cada qual saia do comodismo da sua concha, onde se instalou com as suas verdades absolutas e preconceitos, e aceite o desafio de entrar em comunicação, olhos nos olhos, com os outros. Os outros têm coisas importantes para nos dizer e nós temos dois ouvidos para escutar.

8. Acima de tudo o amor
Quando se ama verdadeiramente o outro, o diálogo é uma forma de alimentar e fortalecer esse amor. Vivendo numa sociedade onde se fala tanto de diálogo e se pratica tão pouco, necessitamos de nos encontrar cada vez mais para comunicar verdadeiramente o que pensamos e sentimos, para realizarmos comunhão.

A história da salvação, que percorre toda a Bíblia, é a história do diálogo de amor entre Deus e o povo de Israel. Ele foi comunicando progressivamente a sua vontade e o povo foi escutando e respondendo.