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Diabetes? Como saber mais….
Segunda-feira, Outubro 31, 2005

Em Portugal, são 500 mil os afectados. É uma patologia grave com diversas complicações associadas: a doença ocular ou retinopatia diabética é a principal causa de cegueira ou diminuição visual em adultos nos países desenvolvidos
Para além da diabetes ser a principal causa de cegueira é também responsável pelo maior número de casos de insuficiência renal terminal, amputações dos membros inferiores, acidentes vasculares cerebrais e doença cardiovascular, nos países desenvolvidos.
Muitos diabetéticos apresentam dificuldade ou simples desconhecimento da sua doença, no entanto, a complexidade dessa máquina fantástica que é o nosso corpo e o pequeno conhecimento técnico sobre o seu funcionamento, que a maioria das pessoas tem, dificulta bastante a sua realização. O que pensar então quando se trata da manipulação de alimentos, exercícios físicos e medicamentos.
Na era da globalização, o diabético necessita receber informações científicas seguras, objectivas e actualizadas sobre sua doença, para que possa fazer frente às complicações imposta pela doença.
Embora se associe a diabetes ao idoso e ao obeso, ela é a principal causa de doença crônica na infância.
A diabetes é uma síndrome caracterizada pela presença de níveis elevados de glicose no sangue. A maior parte dos alimentos ingeridos sofre a acção de diversos sucos digestivos, que os quebram em moléculas mais simples, geralmente açúcares. A glicose é um açúcar proveniente da dieta. Uma vez ingerido, é absorvido pelo intestino, passando à circulação sangüínea, onde fica disponível para as células. Toda a vez que um indivíduo ingere hidratos de carbono, dos quais a glicose é um dos mais importantes, a glicemia (glicose sanguínea) aumenta . As células “b” das ilhotas de Langerhans, localizadas no pâncreas, ao detectarem pequenos aumentos de glicemia, secretam insulina, que faz com que essa glicose seja utilizada pelas células.
A glicose é o principal combustível utilizado pelas células para produzir energia e crescimento. Quando a quantidade de insulina não é adequada, a maior parte das células não consegue utilizar a glicose, que permanece no sangue, atingindo níveis excessivamente altos e extremamente prejudiciais à saúde.
Essa glicose que não foi utilizada e ficou no sangue, é eliminada em parte pela urina, carregando consigo grande quantidade de água. Isso faz com que a pessoa urine muito (poliúria), perdendo água. Essa perda de água provoca a sensação de boca seca e muita sede (polidípsia). Se o indivíduo não conseguir compensar a perda de água ingerindo mais água, pode ficar desidratado. A insulina permite que o corpo armazene glicose sob a forma de gorduras e proteínas, principalmente proteínas musculares. Importantes enzimas participam neste processo e são dependentes da insulina. Na deficiência severa de acção de insulina, ocorre a quebra de gordura e proteínas armazenadas, levando à sensação de fraqueza e muita fome (polifagia), além de perda de peso. A quebra de gorduras pode levar a uma produção excessiva de ácidos e cetonas que, em quantidades excessivas, levam a uma situação clínica bastante grave, chamada de cetoacidose diabética, que requer imediata atenção médica. Esse quadro manifesta-se através de uma mudança no padrão respiratório: a respiração torna-se rápida e profunda e o hálito tem um cheiro de acetona. Essas são, portanto, as principais manifestações clínicas do diabetes.
Valores normais de glicemia (níveis de glicose no sangue) são aqueles que oscilam entre 80 e 110 mg/dl. Quando os níveis de glicemia ultrapassam os 180 mg/dl, aparece glicose na urina (glicosúria)..
A prevalência de diabetes vem aumentando progressivamente na população em geral, mais significativamente nas faixas etárias acima dos 40/50 anos. Dentre as possíveis causas desse aumento são citadas o aumento da urbanização e industrialização, sedentarismo, incidência de obesidade ( 75% dos diabéticos são obesos), expectativa de vida e maior sobrevida da própria população diabética.
A etiologia da diabetes é complexa, entre factores genéticos e ambientais, como viroses e os citados acima.
De uma maneira simplista, podemos dividir o diabetes em tipo I ou insulino-dependente e tipo II ou insulino-independente. A diabetes tipo I ocorre geralmente em indivíduos jovens e magros e tem um início tempestuoso.. Nessa forma, ocorre uma destruição das células “b” do pâncreas, destruição essa ainda não muito bem compreendida e que acarreta a insuficiência total da secreção de insulina. Na sua etiopatogenia participam, com certeza, factores genéticos, imunológicos (auto anticorpos anti-insulina, anti-ilhotas e anti GAD) e ambientais. Modernas técnicas genéticas têm vindo a ser desenvolvidas com o intuito de identificar parentes de diabéticos tipo I predispostos à doença e com isso tentar minimizar o seu risco.
Já o diabetes tipo II, muito mais freqüente, tem um início insidioso, ocorrendo em pessoas mais idosas e em geral obesas. Muitas vezes o indivíduo é portador de diabetes durante anos sem percebê-lo. Esses indivíduos produzem insulina, podendo ter uma diminuída reserva da mesma ou, como ocorre em obesos, existe uma resistência à ação periférica da insulina.
Além dessas duas formas mais comuns de diabetes, existe ainda o diabetes gestacional e o diabetes associado a outras patologias, como algumas síndromes ou o uso de altas doses de glicocorticóides.
O diabetes gestacional surge durante a gestação e freqüentemente desaparece ao término da mesma. As mulheres que tiveram diabetes gestacional tem grande risco de desenvolver diabetes no futuro. Muitas dessas pacientes conseguem manter-se compensadas apenas com dieta e exercícios. No entanto, algumas podem requerer o uso de insulina. O uso de hipoglicemiantes orais é contra-indicado durante a gestação, devido aos riscos para o feto.
Mais raramente, a diabetes pode ser manifestação de outras patologias, como por exemplo a doença de Cushing e a acromegalia.
As pessoas com excesso de peso e vida sedentária estão muito mais predispostas a desenvolver diabetes e, por isso, existe já aquilo a que chamamos uma pandemia de diabesidade, ou seja, doentes que começam por ser obesos e que em consequência se tornam diabéticos, por isso comece já a mudar o seu estilo de vida, fazendo uma alimentação mais saudável e evitando o sedentarismo.