Despedidas, 25 e 37 anos!
Quinta-feira, Agosto 3, 2017

Pelos vistos, as despedidas impuseram-se e todas elas foram dolorosas: o desaparecimento da minha escola, a saída da gestão depois de 25 anos, as doenças em carreirinha (urticária com carradas de cortisona durante um ano, seguida de crise de coluna – duas hérnias na L4, L5, S1),a perda de uma “mãe”.

Espero que já tenha acabado a minha vez, pois, por mais silenciosas que possam ser, as dores marcam a alma, enchem-nos de desgosto, dificultam-nos a vida… mas… ajudam-nos a crescer, dizem os mais velhos. Neste aspeto, permitam-me que discorde, porque a perda de uma mãe ou de um pai, faz crescer quem? Pelo contrário, sentimo-nos vazios, sozinhos, culpados, com alguns remorsos de não termos feito tudo quanto talvez pudéssemos ter feito… Contudo, é verdade,… ao mesmo tempo, ficamos com a alegria de termos tantas recordações, tantas lembranças, de termos trocado tantas gargalhadas e bons momentos…

Não vou falar da última rendilheira das Taipas (ignorava isso!), embora conheça muito dos seus trabalhos. Mãos de prata que foram… Vou falar da Quininha, da minha sogra durante trinta e sete anos acabados de fazer (detestava que lhe chamasse D.Joaquina), uma mulher fantástica que não teve a fotografia na exposição de mulheres taipenses e devia ter tido, pelos vistos, uma mulher assombrosa que trabalhou como uma moura, que ajudou o marido quanto pode, que educou dois filhos, que foi uma avó amorosa e também “chatinha” como todas as verdadeiras avós e que foi uma sogra /mãe (duas vezes). Nunca me senti nora, eu era “a menina” e aprendi a respeitá-la e obriguei-a a que me respeitasse, porque não era fácil lidar com ela nem ganhar o seu apreço. Foi uma mulher única, com um feitio levado dos diabos, mas a que ninguém conseguia levar a melhor. Talvez por isso nos déssemos tão bem. “Feitios parecidos” (nisso) que só se deixam calcar quando o permitem, o que acontece muito raramente.

Por isso o choque da segunda-feira, 31 de julho, quando alguém me disse “Não te dou os pêsames porque já não era tua sogra”. Apeteceu-me desatar a língua, mas, de repente, vejo à minha frente a minha sogra, a rir-se e ri-me também. Deixei que fosse ela a dizer de forma inaudível o que a outra venenosa, grosseirona e insensível tinha dito. Estupidamente, a lei diz que a partir de 2014, toda a família do ex deixa de ser família, ou seja, a minha sogra foi-o até 2014 e depois deixou de o ser. O que a lei esquece é que civilmente ela não era minha sogra, mas pela igreja, ela foi-o sempre até morrer. E até foi minha amiga, pois o funeral foi no domingo e assim pude acompanhar os netos e demais família (considerem ou não) no adeus à avó e à sogra.

Deixei propositadamente para o fim o adeus à direção da escola. Foram 25 anos a trabalhar para a EB Taipas, mais tarde AET (Agrupamento de Escolas das Taipas), por isso, quando o diretor me falou na sua pretensão em renovar a gestão e em treinar uma nova equipa, foi um choque mas acabei por aceitar a minha saída de modo natural. À beira da reforma, não sei se poderei ajudar em alguma coisa, mas a isso estou disposta. A modificação foi feita conforme o diretor pretendeu e quanto a isso nada tenho a dizer. Apenas o desfazer algumas más línguas que não param e esclarecer dizendo que a Teresa não saiu porque estava doente, mas porque lhe foi pedido/ dito para que a direção pudesse mudar e rejuvenescer. Espero sinceramente que assim seja e que a nova direção vista a camisola como a anterior vestiu. E, aproveito para agradecer aos trabalhadores do AET a magnífica jarra de cristal que me ofereceram e dizer-lhes que espero que os trabalhadores deste agrupamento andem na linha da frente e deixem ficar bem esta direção, como andaram ao longo destes anos. Quanto aos colegas da direção, o meu muito obrigada pelos bons momentos, pelos menos bons e até pelos maus momentos… todos eles ajudaram a direção a crescer e a fazer deste agrupamento o que ele é, um agrupamento de referência… ensinando-me a ser uma representante digna de um agrupamento de escolas.

No tempo que me resta no ativo, podem contar comigo para o que quiserem, porque estou velha (sou a professora mais velha do AET) mas não estou morta e a minha língua continua afiada como sempre, tal como a minha vontade de trabalhar, de sonhar, de criar novos projetos,…

Os sonhos não param… Oficina de Escrita… Oficina de Jornalismo… Oficina sei lá de quê… Esperem e vejam!
Esperem pelo jornal que vai sair, como de costume.

E, até setembro! Boas Férias!