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Editorial #265 – Desigualdade de género
Sexta-feira, Julho 6, 2018

O reconhecimento público a determinadas individualidades dado pelo 24 de junho proporcionou um debate sobre a questão da desigualdade de género. Trata-se de uma realidade que se estende por todo o país (não, não é exclusivo de Guimarães), visível nas mais diversas áreas da nossa vida.

A uma maior presença da mulher nas escolas e no trabalho não tem correspondido, em termos proporcionais, um aumento da presença das mulheres em cargos de chefia ou liderança.

Por exemplo, na Escola Secundária de Caldas das Taipas, no ano letivo de 2016/17, 52% dos alunos eram do sexo feminino. A nível de docentes, 57% eram mulheres e, em termos de pessoal não docente, 78% eram mulheres. Se olharmos para o cargo de direção, até ao momento, esta mesma escola só teve dois homens a liderar a mesma. Se passarmos pelas outras escolas, o cenário, não será muito diferente. Uma das diferenças, terá sido com a atual vice-presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Adelina Paula, que esteve à frente do agrupamento Arqueólogo Mário Cardoso.

No ensino superior, desde 1985/86 que existem mais universitárias do que universitários. Ao nível de licenciaturas, mestrados e doutoramentos, há mais mulheres do que homens. No entanto, quando se passa para os docentes universitários, a maioria são homens e nem vale a pena falar em termos de reitores.

Numa outra área, a saúde, a partir de 2010, o país passou a ter mais médicas do que médicos e isso traduziu-se no assumir de cargos de chefia nos centros de saúde, hospitais e centros de investigação?

Regressando a Guimarães e à questão da atribuição de medalhas no 24 de Junho, temos 103 homens homenageados para 22 mulheres medalhadas em 30 anos de honrarias municipais. Adelina Paula refere uma questão pertinente: “Não temos que escolher ninguém por ser mulher”. É uma realidade. Mas se já tivéssemos tido uma presidente de Câmara, talvez a realidade fosse outra.

Carla Cerqueira, investigadora na área dos estudos de género e comunicação no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, refere ao Reflexo que esta problemática “tem a ver com questões históricas e sociais que é preciso desconstruir”. Como se costuma dizer, “mãos à obra”.

Também não queremos passar ao lado. O Reflexo, tem somente um elemento feminino que escreve regularmente no jornal. Em termos de cronistas, as mulheres já estão em melhor proporção. Certamente temos de repensar o nosso posicionamento.