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“O Desejado”, o novo CD do Trio Os Boémios presta homenagem ao Duo Ouro Negro
“O Desejado”, o novo CD do Trio Os Boémios presta homenagem ao Duo Ouro Negro
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Domingo, Dezembro 17, 2017

Trata-se do 16º CD lançado pelo Trio Os Boémios. Manuel Leite Silva é o rosto e voz deste grupo taipense, no ativo desde 1991, que tem marcado a música popular da região nas últimas décadas.

O CD “O Desejado”, nas palavras de Manuel Leite Silva, “está excelente”, apresentando uma “sequência muito boa”. Há uma “nova roupagem a temas mais antigos”, gravaram duas músicas em homenagem ao Duo Ouro Negro (não podia faltar a “Maria Rita”) e apresentam três novos temas “muito fortes”.
Do CD, destaca o tema “Serrosa” por um motivo muito simples:, “É a música que está a bombar, que está a dar cartas em todas as rádios locais. Desde setembro até agora, de Coimbra para cima, já passou por quase todas as rádios”. Manuel Silva destaca a importância das rádios locais na música popular: “Se não fossem as rádios locais, a música popular não passava para o público. As rádios nacionais nem a outra música portuguesa passam como deve ser.”

Início da história dos Boémios remonta a 1991

Para a história deste trio, temos de recuar até 1991 e a uma altura em que o grupo era bem mais numeroso e onde o fado também estava presente, como recorda Manuel Silva: “Tudo começou no restaurante. Na altura, estava eu, o Zé Maia, o Lino Picão, o Veneno, o falecido senhor Gomes e o Tó Rodrigues, dividíamo-nos entre a música ligeira e o fado. Um célebre dia, o Adelino Gomes mais o seu primo, a quem chamávamos o Veneno, tiveram uma chatice, os dois com o nariz empinado, e o grupo desfez-se. Uns seguiram a via do fado e eu mantive a música ligeira ou popular”.
O passo seguinte foi gravar uma cassete na Rádio Fundação e dar o salto para a ribalta: “Passado umas semanas desses acontecimentos, liguei para um amigo da Rádio Fundação, o Guizo, para lhe pedir para fazer uma gravação. Na altura, era muito complicado gravar qualquer coisa, pois ficava também muito caro. Acabámos por gravar passado umas semanas, isto em 1991, cinco ou seis temas, como a “Laranja da China”, “Fui colher uma romã”, “Encosta a cabecinha no ombro”, entre outras, sendo de destacar a que ficou célebre, a “Saudade do Sertão”, que foi uma música que balanceou de imediato nas rádios. Digo nas rádios, não foi só na Rádio Fundação, pois viria a conquistar a rádio Santiago. Entramos nos tops do mês com surpresa nossa, e no final desse ano, passamos a gravar cassetes, no Porto, com mais qualidade”.

Trio Os Boémios, “uma excelente academia musical”
Algo que apesar de tudo o deixa satisfeito e que ninguém pode negar é que os Boémios têm funcionado como “uma excelente academia musical”, pois, como acrescenta, “por aqui já passaram excelentes artistas que hoje têm uma carreira a solo reconhecida e que estão na ribalta. Tem sido uma excelente escola e rampa de lançamento para muitos artistas”. Um dos casos é o de Zé Amaro que se juntou ao trio em 2000, onde permaneceu durante oito anos.

O texto integral pode ser lido na edição de dezembro do jornal Reflexo