Deixem-nos crescer
Quinta-feira, Julho 4, 2019

A nossa vila foi distinguida com o galardão de melhor eco-freguesia do país, um galardão que orgulha todos os taipenses. Das 3091 freguesias do país, 86 concorreram ao galardão e destas, a nossa freguesia foi a melhor classificada.

Guimarães foi, de longe, o concelho o mais representado no concurso organizado pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), com um total de 24 freguesias a concurso, quase um terço do total. Analisar os resultados a nível concelhio é um exercício curioso e até intrigante. Veja-se, por exemplo o indicador 3 referente a mobilidade e transportes públicos, onde a nossa freguesia é a primeira a nível nacional, apesar de ser um pesadelo fazer a N101 até Guimarães. A segunda freguesia melhor classificada do concelho é Fermentões que aparece apenas em 16º lugar.

Já no indicador referente a higiene e limpeza urbana levamos um “banho” de Ponte, que ocupa a 8ª posição enquanto nós, estamos num desconfortável 25º lugar. Por sua vez, no indicador referente a espaços verdes, Caldas das Taipas é a 3ª melhor freguesia do país, enquanto Ponte, apesar de dois parques verdes de grande qualidade junto ao rio, não entra sequer nos primeiros 25.

O património natural sempre foi o nosso maior tesouro e motor de desenvolvimento da nossa terra. As águas termais sustentaram o comércio e o turismo durante décadas. O perfume das nossas tílias atraiu e inspirou célebres escritores que eternizaram o nome da nossa vila nos seus romances. O rio assegurava a atividade agrícola e a indústria cutileira.

Os taipenses reconhecem a importância dos seus recursos naturais, por isso reclamam há mais de 30 anos a despoluição do rio Ave. O presidente da junta diz-se surpreendido com o galardão, mas apenas aqueles que não reconhecem as verdadeiras potencialidades da nossa terra podem ficar surpreendidos.

Segundo o responsável pela candidatura a este galardão, em declarações a um jornal nacional, “a sustentabilidade de Caldas das Taipas fez-se de pequenas coisas”. Se com pequenas coisas conseguimos ser a melhor do país, imaginem só onde chegaríamos com grandes coisas.

Imaginem que além de substituir as garrafas de água por água da torneira nas assembleias de freguesia, se investia na requalificação da rede de abastecimento e se acabava com as constantes ruturas, que tanta água desperdiçam, e que deixam as estradas todas esburacadas.

Imaginem que além dos temporizadores nas torneiras públicas, se investia em sistemas de rega sustentáveis, nos jardins públicos, substituindo a rega à mangueira.

Imaginem que além de rebaixar os passeios os requalificavam e os tornavam de facto acessíveis a pessoas de mobilidade reduzida.

Imaginem que, além dos 10 metros de margem da ribeira da canhota, se limpava e requalificava toda a ribeira, do Sorrego ao parque, e ainda o nosso rio Rabelo e claro, o Ave. Imaginem se o nosso Ave não estivesse sujeito às descargas das indústrias e dos coletores de esgotos, se a água fosse boa para banhos, se o seu leito, onde se acumulam 30 anos de resíduos e lodo, estivesse limpo.

Imaginem que além do horto dos utentes do Centro Social, a vila dispunha de 25 hectares de parque verde junto ao rio, da praia seca às levadas, onde os todos os taipenses poderiam desfrutar e viver a natureza em pleno: com trilhos para caminhadas, campos desportivos, com zonas para banhos de rio, para pesca, para desportos náuticos, com mesas e churrasqueiras para píc-nics em família.

Nós taipenses sempre soubemos que a nossa terra é a melhor, agora que ostentamos o título, coisa importante para o município, não nos digam que não podemos querer mais. Deixem-nos sonhar, deixem-nos crescer.