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Datas marcantes- 20, 40 e 65
Segunda-feira, Julho 6, 2020

Como é do conhecimento geral, eu dou muita importância às datas comemorativas de algo bom, porque as outras temos mais é que esquecer.

E cá vêm dois números redondos: 40 e 20. Até parece um enigma. O que é que pode ter acontecido há 20 anos e o que é que já aconteceu há 40? E depois uma outra que são capazes de acertar – 65.

Apetece-me começar a contar uma das minhas histórias só para vos pôr a “rabiar” por algum tempo, a deitarem-se a adivinhar. Esta é uma forma de fazer texto, de cronicar sobre o que me apetece ou não, sobre se vos vou acabar já com o suspense ou se o levo até ao fim dos 3500 carateres permitidos contando com os espaços. Tenho de admitir que me estou a divertir.

Bem, acabemos com a agonia e satisfaçamos a curiosidade que não matou o gato mas pode provocar um AVC, um enfarte (Cruzes! Que exagero!) nos que seguem os meus escritos.

Há cerca de dois meses disse no meu Facebook que há 38 anos tinha concretizado um dos objetivos da minha vida – ser mãe, E nasceu o tal morenito de olhinhos muito escuros, o meu filho mais velho. Eis uma ótima pista para o 40. Correto, meus caros amigos. Faz 40 anos que moro em S.Cláudio do Barco, embora “oficialmente” sempre tenha vivido na Rua Nª Srª de Fátima, a residência dos meus sogros. O mais engraçado é que todos tínhamos aquele endereço como morada (com exceção do meu filho mais velho que morava sozinho em Barco porque foi tirar o Bilhete de Identidade com a professora e ela pôs Lugar do Salgueiral, S. Cláudio do Barco e nunca mudou), o que equivale a dizer que nunca votei em Barco, poucas vezes fui à missa em Barco e toda a minha vida se passou nas Taipas. Eu era professora nas Taipas, os meus filhos foram alunos de escolas das Taipas e fizeram a catequese nas Taipas. O mais curioso agora é que, aos poucos vou mudando a residência à medida que os documentos se vão renovando, mas os CTT continuam a deixar todo o correio na Sra de Fátima. 40 anos que se passaram num piscar de olhos. Parece que foi ontem que vim viver para o meio dos campos e pinhais, já que, na altura, as casas acabavam na Rabata e recomeçavam no cruzamento para a Citânia. E não havia luz na estrada porque S.Cláudio e Sto Estêvão não se entendiam sobre a quem pertencia este pedaço de estrada o que fez com que eu chegasse a entrar de gatas na minha casa à procura da calceta, uma vez que a camioneta parava um pouco mais acima. E assim, uma menina da cidade viu-se no meio do verde (a dar os bons dias às vacas que pastavam nos campos à frente e atrás da casa) … que me sufocava e me levava a ir intoxicar-me ao Porto pelo menos uma vez por semana. Já não falo do café, o Piteco, onde entrávamos apenas três mulheres à noite nem da minha diversão noturna, quando o café cheio era uma nuvem de fumarada – contar os palavrões que se diziam nessas três horas que estávamos na vila. E vinha eu de uma cidade onde se falava muito mal! Nem aos calcanhares chegava da vila de Caldas das Taipas…

O 20 é um marco da minha vida. Entrei para o Rotary Club de Caldas das Taipas há precisamente 20 anos (o clube fez 21). “Dar de si antes de pensar em si” foi um lema que sempre segui durante a minha vida pessoal e profissional, por isso foi um prolongamento natural da pessoa que eu era. As regras sempre existiram na minha vida, inculcadas por uma escola de antes do 25 de abril que tinha três vertentes – pátria, religião e família – todas elas muito importantes e que para mim continuam a ser. Podem apelidar-me de fascista, mas sou muito patriótica (veja-se o que os idiotas, ignorantes e imbecis fizeram à estátua do Padre António Vieira que sempre esteve do lado dos pobres e dos oprimidos). Ainda me arrepio a ouvir o Hino Nacional, adoro a minha bandeira e adoro o meu país (e já viajei bastante), mas quanto mais ando por fora mais gosto do que está cá dentro. Embora em Rotary, essa ONG, que esteve na base da ONU, não haja distinção de credos nem crenças, nem raças nem géneros (este último lamentavelmente só a partir de 1985, pois até aí não eram admitidas mulheres em Rotary), a verdade é que o lema rotário é o lema de qualquer católico “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, “Amar o próximo”, o espírito solidário e de partilha. Limitei-me a entrar para um clube onde podia fazer a diferença e temo-lo feito, embora tenha sido difícil que o reconheçam. E falta-me falar da família. Pessoalmente, a minha família está extremamente reduzida (os meus pais faleceram e a maior parte dos tios também), pelo que é constituída pelos meus dois, agora três filhos, já que os irmãos e sobrinhos e primos estão distantes, ao alcance de um telefonema ou agora modernamente do Whatsapp ou zoom, que sempre permite ver caras. Mas há várias famílias e eis-me enfiada de alma e coração numa família rotária- o Interact e o Rotaract Clubs, na génese dos quais trabalhei afincadamente e para os quais continuo a trabalhar como representante das Novas Gerações do Rotary e o Rotary, onde já fui presidente por duas vezes. E a roda denteada continua a rodar e continuará.

Falta o 65. É fácil. Dentro de dias, não sei quando o jornal sairá, mas no início de julho entrarei para a chamada Terceira Idade. Apesar de aposentada, obrigada a sair por questões de saúde ou ainda estaria no ativo, não estou parada e não me faltam projetos.

E, como já ultrapassei em muito o permitido, fico por aqui.

O Covid está aí e as pessoas estão a ser inconscientes e não vejo as máscaras. Por favor, usem máscara e cuidem-se. Protejam-se. Até sempre!