Curta-metragem de jovem taipense distinguida no CINENOVA
Quinta-feira, Março 21, 2019

O CINENOVA, primeiro Festival de Cinema e Conhecimento Interuniversitário promovido pelo Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa, distinguiu SHINIGAMI com uma menção honrosa para “Melhor Filme Português”.

SHINIGAMI é uma curta-metragem, um projeto de grupo de Inês Paredes, Márcia Fernandes, Marta Fernandes, Diana Alves e Susana Nevado, distinguido no primeiro Festival de Cinema Interuniversitário – o CINENOVA – que se realizou em Lisboa nos passados dias 21 a 23 de fevereiro e que registou a participação de mais de meia centena de cineastas de vários países.

Inês Paredes é uma jovem taipense, licenciada em Ciências da Comunicação com especialização em Audiovisual e Multimédia pela Universidade do Minho e que, neste momento, realiza o seu mestrado em Design Editorial no Instituto Politécnico de Tomar.

A par das suas colegas, realizou esta curta-metragem – SHINIGAMI – que acaba de ser distinguida com uma menção honrosa, para o “Melhor Filme Português”. Um filme que Inês Paredes descreve como uma curta-metragem “com teor documental, que quer contar a história do ano de 2017, o ano em que mais ardeu em Portugal nos últimos 10 anos, onde os dias nasceram com o fogo e morreram com ele. Quer explorar o limbo entre a vida e a morte, tanto das coisas vivas como das coisas inanimadas, e o renascimento das nossas florestas e espaços artificiais como um processo longo e penoso – enfim, deixar o público respirar a arquitetura natural e humana no seu estado mais decadente”.

Foi o facto de se tratar do primeiro Festival Interuniversitário que conduziu à participação nesta iniciativa. “Esta curta-metragem já foi levada a concurso a alguns festivais. Participei num festival em Nova Iorque chamado “A Rebel Minded Festival” em julho do ano passado e este ano, já esteve na edição de 2019 no Fantasporto e estará em exibição, em abril, na Mostra do Cinema Português, organizado pelo Cineclube do Barreiro, em Setúbal. O CINENOVA surgiu numa altura em que não há quase nada relativamente a mostras de cinema universitário, especialmente em espaço de universidade. Quase todas as faculdades de Ciências Sociais têm mostras dos projetos feitos em contexto curricular, mas festivais com secções de competição e entregas de prémios são raros, ou quase inexistentes. Decidi participar neste festival, exatamente por ser o primeiro festival de cinema interuniversitário do país, que promove conteúdo feito em escola, onde as condições são muito diferentes do contexto de trabalho/mercado da área”, argumenta Inês Paredes.

Esta experiência não foi a primeira para a jovem cineasta taipense que, em 2018, levou ao Fantasporto o vídeo comercial “Terminal de Cruzeiros”, trabalho que também esteve a competir na Mostra de Projetos do Curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, em 2017. Esta distinção recebida no CINENOVA tem, para Inês Paredes, um significado especial no sentido em que considera ser “indubitavelmente um reconhecimento” do seu potencial enquanto cineasta e uma “enorme motivação para poder continuar a fazer mais e melhores projetos no futuro”.

Inês Paredes não tem dúvidas que o seu futuro passará pelo cinema. Uma área em que terá de ultrapassar alguns obstáculos que, como refere, “infelizmente, não são poucos”. “É uma área ainda vista pela sociedade como inferior ou como um hobby. Em relação a fazer cinema fora de metrópoles, é difícil encontrar outros profissionais, técnicos e atores, pois estão na sua maioria em Lisboa no Porto. O acesso a equipamentos e materiais também é um desafio. Falando de questões financeiras, a história não é nova: a Cultura é o campo que recebe a parcela mais pequena do Orçamento de Estado e o cinema não está nos lugares cimeiros no que toca à distribuição do dinheiro. Em termos de género, o lugar da mulher está quase sempre reservado ao guarda-roupa, à maquilhagem, à anotação, etc. É raro ver uma mulher como diretora de fotografia, realização etc”, refere Inês Paredes, com a determinação de que quem tem a firme convicção do que quer fazer no futuro.

Depois de uma experiência de dois anos como redatora na secção de Crítica do jornal universitário ComUM e editora da mesma durante o último ano da sua Licenciatura, Inês Paredes colabora, desde novembro de 2017, com o blogue “Cinema Sétima Arte”, o 3º mais lido do país, nesta área.

link da curta: https://www.youtube.com/watch?v=_x64nq0yMJc&t=5s