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Cristina
Quinta-feira, Janeiro 17, 2019

Em Janeiro de 1934 entrou em vigor o Estatuto Nacional do Trabalho, de carácter fascista, tendo como consequência imediata a proibição oficial dos sindicatos livres, substituídos por outros completamente subjugados ao poder corporativo.

Por todo o País os trabalhadores combateram a fascização dos sindicatos e convocaram para o dia 18 uma greve geral revolucionária, com o objectivo de derrubar o governo de Salazar.

Contrariamente ao que sucedeu nas restantes localidades do País, no dia 18 de Janeiro de 1934, na Marinha Grande os objectivos da greve geral revolucionária foram cumpridos: os operários vidreiros tomaram o poder, apenas por algumas horas é certo, porque a contrastar com a atitude humanista dos operários, a brutalidade das forças repressivas foi imensa.

Apesar de fracassada, a revolta dos trabalhadores vidreiros fica na história como um momento alto da resistência ao fascismo. O 18 de Janeiro de 1934 permanece bem vivo na memória dos marinhenses, sobretudo dos operários vidreiros, e de todos aqueles que nunca se vergaram ou capitularam perante o fascismo.

Foi através das muitas lutas levadas a cabo ao longo dos tempos que foi possível conquistar os direitos que os trabalhadores hoje têm. Mas ao contrário do que alguns pensam, estas conquistas não são garantidas sem luta constante em sua defesa, como se comprova pelo que a seguir descrevo.

Numa empresa corticeira uma trabalhadora foi despedida com o argumento de extinção do seu posto de trabalho. A trabalhadora recorreu da decisão e o Tribunal da Relação deu-lhe razão, considerando ilegal o seu despedimento, condenando a empresa a pagar uma indemnização por danos morais, a reintegrá-la e a reembolsar as retribuições que a trabalhadora durante o processo deixou de auferir.

No entanto, desde a sua reintegração em Maio de 2018, a trabalhadora foi sujeita a uma perseguição constante por parte da entidade patronal. Todo o dia carregava e descarregava os mesmos sacos de cerca de 15Kg para a mesma palete! A inutilidade do esforço diário realizado tinha apenas um objectivo: humilhar e provocar a desistência.

A solidariedade criada pela mediatização do caso fez intervir a ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho que comprovou que houve de facto uma atitude repressiva constante da empresa contra a trabalhadora, autuando a entidade patronal.

Coerente quanto à prepotência anteriormente demonstrada, em Novembro de 2018, a empresa comunicou à trabalhadora que “a mesma se encontra suspensa preventivamente para a organização de processo disciplinar tendente ao seu despedimento com justa causa”.

Portanto, a luta é para continuar.

Esta mulher lutadora chama-se Cristina, e para além da empresa que não lhe quer bem, o facto de ser assalariada numa corticeira e ter como sobrenome Tavares, não ajuda muito para colher a atenção do “presidente dos afectos” que está mais solidário com a outra Cristina que num só mês ganha mais do que esta ganhará em 8 anos!

Afectos de Classe!