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Crime quase perfeito
Segunda-feira, Julho 17, 2017

Na passada Assembleia de Freguesia levou como proposta a Junta de Freguesia um contrato de prestação de serviços entre a Junta e os CTT para a instalação na Junta de um balcão CTT. A proposta foi reprovada com os votos contra do PS e CDU.

Em minha opinião andou bem a Assembleia ao chumbar esta proposta. Vejamos.

Os CTT são uma empresa privada desde 2014 que, como qualquer outra empresa privada, visa primordialmente a obtenção do lucro. Os serviços prestados pelos CTT são de primeira necessidade, absolutamente fundamentais para as populações. Parece-me também ser consensual que o serviço prestado em Caldas das Taipas precisa de ser melhorado.

À primeira vista podíamos pensar que esta intenção dos CTT de instalar um balcão na Junta de Freguesia solucionaria este problema, mas não, temos que dar um passo atrás e perceber que esta proposta é na realidade uma armadilha para as Taipas.

Impõem-se algumas questões.

Porque querem os CTT instalar um balcão a 50 metros do local onde prestam os seus serviços?

Porque querem os CTT celebrar um contrato de prestação de serviços com a Junta quando poderiam simplesmente colocar mais um funcionário num dos balcões que têm vazios no seu edifício?

A resposta parece-me óbvia, e contida na premissa que assinalei acima: Os CTT são uma empresa privada que visa a obtenção de lucro.

A estratégia dos CTT apesar passar por aqui: ao abrir um balcão na Junta poupam dinheiro, porque lhes fica mais barato este contrato de serviços (300€) do que contratar um funcionário; simultaneamente vão criar uma perda “artificial” de clientes nos balcões originais que agora se vão dividir entre os balcões originais e o balcão da Junta; estabelecida esta realidade vão ter o argumento perfeito para “delegarem” na Junta todos os serviços que atualmente prestam (e que não dão o lucro que pretendem); criando assim espaço para implementarem o modelo de negócios de atividade bancária que realmente querem (porque dá lucro) e que já assumiram publicamente ser a sua prioridade.

Assim, aprovar a proposta da Junta seria efetivamente abrir a porta para, no futuro, os CTT encerrarem os serviços, tal como os conhecemos, em Caldas das Taipas. Esta estratégia não é nova e tem corrido o país de norte a sul.

Têm dúvidas de que esta é realmente a intenção dos CTT para a nossa região? Olhem o que se está a passar em S. Cláudio de Barco e percebem que não existem coincidências.

Posto isto parece-me evidente que a Junta de Freguesia deveria estar ao lado dos Taipenses lutando pelo reforço e melhoria dos serviços prestados pelos CTT, e não promovendo soluções que em última instância vão encerrar um serviço essencial para a população. Mas a postura da Junta consegue ser mais grave que isso. Motivada por esta preocupação correu uma Petição Pública assinada por cerca de 400 Taipenses alertando para o perigo que este contrato representaria.

Qual foi a atitude da Junta?

Fazer distribuir por todas as caixas de correio da Vila um comunicado de ataque aos 400 subscritores da petição, cometendo deste modo dois erros gravíssimos: demonstração de falta de cultura democrática e desrespeito pelos 400 pelos taipenses que, preocupados com a sua Vila, assinaram a Petição. Mas não ficou por aqui, não se bastando pelo desrespeito pelos 400 assinantes a Junta de Freguesia aproveitou ainda para fazer campanha política baixa usando o timbre e os dinheiros da Junta para interesses partidários: Imperdoável!

Uma breve mas intensa nota de congratulação ao Comandante dos Bombeiros das Taipas, Rafael Silva, agraciado com a Medalha Municipal de Serviços Distintos no 24 de junho; às obras da nova E,B 2 e 3 de Caldas das Taipas que agora se iniciam e à inauguração do magnífico Polidesportivo das Taipas.