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Crematório
Quinta-feira, Julho 9, 2020

Quando o novo Cemitério Municipal de Guimarães, situado em Monchique, foi desenhado, no início da década de noventa pelos arquitectos Pedro Mendo e Maria Manuel Oliveira era uma novidade que pretendia conciliar solicitações convencionais duma população maioritariamente católica com propostas alternativas capazes de responder a todos dignamente, independentemente da raça, cultura ou religião. Neste alinhamento ficou também um espaço destinado à construção de um Forno Crematório.

A localização do novo cemitério, afastada do centro urbano, foi por alguns contestada e a sua construção pontualmente perturbada por alguma resistência popular que fez com que o executivo municipal recuasse na execução total de todo o programa idealizado para o novo equipamento funerário municipal. Com o pretexto dos avultados custos envolvidos e utilizando a desculpa da mentalidade popular enraizada que ainda não estava preparada para aceitar esta modalidade, a construção do crematório foi sucessivamente adiada.

Enquanto vereador pela CDU fui com alguma frequência insistindo na necessidade da construção deste equipamento, argumentando com os transtornos causados por todos aqueles que optarem por este serviço terem que se deslocar para o Porto ou Matosinhos, onde a maioria das vezes têm, pela incapacidade de resposta imediata, provocada pela cada vez maior procura, que aguardar alguns dias, prolongando dolorosamente o ciclo normal da cerimónia fúnebre e grande desconforto para os familiares e amigos.

Em 2016 foi aprovada por maioria – a CDU votou contra a entrega a uma entidade privada – a proposta de concurso público para a concessão da concepção, construção e exploração do Crematório do Cemitério Municipal de Monchique, em Guimarães. A gestão deste equipamento que devia ser pública foi entregue a uma empresa privada que terá a responsabilidade da sua exploração nas próximas décadas.

Estamos em 2020, e só agora é que foram iniciados as movimentações de terras para a implantação do Crematório em Monchique! Processo demasiado lento comparando com concelhos nossos vizinhos, Famalicão e Braga, que instalaram este equipamento em pouco mais de um ano.

Ao entregar a concepção do projecto do edifício a uma empresa privada (Servilusa), em vez de entregar aos autores do projecto geral do Cemitério de Monchique, criou uma série de dificuldades e contratempos que demoraram cerca de quatro anos a ultrapassar. Seria bem mais fácil optar pela segunda posição e garantir alguma unidade autoral e conceptual dum edificado que mereceu o 1º Prémio Nacional de Arquitectura Paisagística em 2005. Estas más decisões contribuíram para o arrastamento de um processo que há muito deveria estar resolvido. .

O nosso povo diz e bem que, vale mais tarde que nunca, e se nenhuma outra peripécia acontecer, Guimarães vai ter finalmente o seu Crematório!

Torcato Ribeiro, Julho de 2020