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Corpo de Bombeiros das Taipas “correspondeu da melhor forma” ao DECIR 2020
Terça-feira, Novembro 10, 2020

Bombeiros das Taipas registaram menos fogos na sua área de intervenção, mas em contrapartida foram a corporação que mais auxílio prestou por todo o distrito. Área ardida baixou significativamente, na ordem dos oitenta por cento.

Rafael Silva, comandante da corporação de bombeiros da Associação Humanitária de Bombeiros das Taipas, faz um balanço satisfatório da fase mais crítica do DECIR 2020 (Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais). Entre as principais conclusões a que salta de imediato à vista é a redução drástica da área ardida na zona de influência dos Bombeiros das Taipas. Entre 1 de janeiro e 15 de outubro arderam 14.553hectares de floresta, um número significativamente inferior aos 87hectares que arderam em igual período do ano anterior. Uma redução de área ardida superior a oitenta porcento.

Na origem da obtenção deste resultado estão vários fatores, entre os quais a pronta reação e atuação do corpo de bombeiros às poucas ignições de fogo que se registaram e também, por outro lado, as medidas de prevenção adotadas conjuntamente entre os Bombeiros das Taipas, única corporação vimaranense com dispositivo DECIR 2020, e o Serviço Municipal de Proteção Civil de Guimarães.

No entender de Rafael Silva o DECIR 2020 correu “bastante bem”, com muita atuação em auxílio de outras corporações. “No DECIR 2020 tivemos menos ignições na nossa área de atuação própria, mas demos muito apoio a nível distrital. Tivemos 157 ocorrências fora da nossa área em vários concelhos vizinhos, como Celorico, Cabeceiras, Vila Verde, Amares, Terras de Bouro, Póvoa de Lanhos e vários outros concelhos em que demos apoio. Aqui na nossa área foi, então, um ano com poucas ignições em tivemos menos área ardida: em 2019 tivemos cerca de 80hectares de área ardida, enquanto que em 2020 tivemos 14 hectares. Foi um ano bastante calmo. Correu bastante bem, o corpo de bombeiros correspondeu da melhor forma com o pessoal a ser incansável derivado a estes apoios, aos GRIF (Grupos De Apoio a Incêndios Florestais), fizemos vários destes grupos para Chaves, Mondim de Basto, entre outros; os Bombeiros das Taipas estiveram sempre presentes e o corpo de bombeiros esteve à altura”, aponta o comandante.

Com os vários GRIF criados para apoiar corporações de bombeiros um pouco por todo o distrito, tal como descreveu Rafael Silva, os bombeiros taipenses foram os que mais auxílios prestaram em todo o distrito.  Neste período os Bombeiros das Taipas tiveram um total de 267 ocorrências, dentro e fora da sua área de atuação, mobilizando quase dois mil bombeiros, mais precisamente 1907, apoiados por 447 veículos. Nestas 267 ocorrências apenas se registaram dois feridos ligeiros, “coisas mínimas” num incêndio em Longos.

Pandemia dificultou, mas não evitou prevenção

Para além da intervenção em caso de ocorrência, os Bombeiros das Taipas atuaram de forma preventiva, sendo esse um fator que contribuiu, tal como já foi referido, para os resultados obtidos.

“A prevenção e incêndios é planeada com o Serviço Municipal De Proteção Civil. Fizemos uma cerca de sensivelmente seis quilómetros de faixas de caminhos que estavam intransitáveis em Sande São Clemente, tem vindo a ser feito este tipo de trabalho em Longos nos últimos anos, este ano fizemos em Sande para o ano será feito noutros locais de risco. Tentamos fazer o máximo possível para ter acesso imediato à montanha, para fazer um combate mais fácil. Esta metodologia ajuda a evitar que haja mais área ardida, assim como ajuda o auxílio do Serviço Municipal de Proteção Civil com os caminhos devidamente abertos e limpos, as faixas nas bermas que foram feitas junto das estradas aqui na parte norte do concelho; tudo é importante. Tudo que é prevenção é importante”, assegura Rafael Silva.

Tal como a restante sociedade também a corporação de bombeiros teve de se readaptar a uma nova realidade em virtude da pandemia, alterando as rotinas diárias. Também disso mesmo dá conta Rafael Silva em declarações ao Reflexo. “Tivemos de dividir o grupo, havia pessoal que dormia nas camaratas principais, outros foram dormir para o salão nobre, pusemos lá os colchões das camaratas, e houve um período em que durante o dia uma equipa foi para o parque de campismo. Foi a primeira vez que isto aconteceu, esta divisão, é a primeira vez que lidamos com isto e é muito complicado lidar com esta situação a nível interno, a nível de formações e outras atividades que temos anulado para evitar aglomerados de pessoas aqui no quartel”, reconhece.