Coligação defende que incidente na Assembleia seja participado às autoridades
Coligação defende que incidente na Assembleia seja participado às autoridades
Segunda-feira, Junho 18, 2018

Mesa e bancadas foram unânimes em lamentar os acontecimentos na Assembleia de Freguesia de Caldelas, de 11 de junho. Oposição quer que o episódio seja participado às autoridades e que o líder de bancada socialista se demita.

A coligação Juntos por Guimarães (JpG) veio hoje publicamente defender que o presidente da mesa da Assembleia de Freguesia de Caldelas participe às autoridades sobre o incidente ocorrido na sessão ordinária daquela assembleia, que decorreu no dia 11 de junho.

Em causa está um intervenção por parte do público, depois de Constantino Veiga se ter dirigido à assembleia. Esta foi a primeira vez que o anterior presidente da Junta de Freguesia de Caldelas falou sobre o cenário apresentado pelo atual executivo, sobre as contas da freguesia.

Recorde-se que, aquando da discussão do orçamento da autarquia para o corrente ano, o executivo liderado por Luís Soares descreveu como deficitária a situação financeira da Junta de Freguesia, avançando que haveria um saldo negativo de cerca de 100 mil euros.

Constantino Veiga manifestou-se profundamente indignado na sessão da Assembleia de 11 de junho, referindo-se a um “plano orquestrado pelo Partido Socialista para denegrir a minha imagem e com isso a minha família”, referindo ainda que o executivo tem mentido aos taipenses.

O ex-presidente de Caldelas apresentou então os seus argumentos, esclarecendo a assembleia que o anterior executivo deixou: 10 mil euros em dinheiro na Caixa Geral de Depósitos; 30 mil euros de receitas não cobradas da feira e do cemitério e mais 34 mil euros prometidos à Junta pela Câmara, devidos pelas obras realizadas pela Junta e pelo projeto da Praia Seca.

O que motivou o acender dos ânimos na Assembleia foi o que veio a seguir, quando Constantino Veiga se refere ao antigo presidente da Junta de Freguesia de Sande (S. Martinho), pai do líder da bancada socialista, Augusto Mendes, a quem a intervenção se passou a dirigir: “O meu [pai] emigrou durante muitos anos. O seu foi presidente de Junta e pelos vistos, quem deixou currículo do pior foi ele” – disse Constantino Veiga.

Nesta altura, Augusto Mendes ausenta-se da sala. Aquela referência obrigou à intervenção do presidente da mesa da Assembleia. Sérgio Araújo pediu que houvesse moderação no uso das palavras. Constantino Veiga anuiu e prosseguiu a intervenção, concluindo-a pouco depois.

O membro socialista Horácio Nogueira, que havia pedido a palavra, fez a sua intervenção, à qual se seguiu uma interpelação por parte do líder da bancada da coligação JpG, Manuel Ribeiro. Foi nesta altura que pela sala irrompe um familiar do líder bancada socialista, que se dirige de forma exaltada para Constantino Veiga, exclamando por três vezes e de dedo em riste: “O meu pai não é teu irmão!”.

O episódio fez com que a sessão fosse interrompida por alguns minutos. Os trabalhos prosseguiram pouco depois, com a ausência de Augusto Mendes. Mas a tensão passaria a ficar latente na sala até ao final da sessão, o que motivou uma troca de argumentos nas intervenções seguintes.

Na versão descrita pela coligação JpG, sobre o que aconteceu na noite de 11 de junho, Augusto Mendes terá regressado à assembleia acompanhado do seu irmão e ficado a assitir de fora. De acordo com esta força política o sucedido atenta contra o “funcionamento dos órgãos democráticos eleitos”.

A coligação Juntos por Guimarães vem agora repudiar o sucedido, particularmente o “comportamento do líder parlamentar do Partido Socialista, bem como a atuação da mesa da assembleia”, sem nunca fazer referência ao que despoletou toda a situação.

A coligação defende então que o incidente seja participado “às autoridades competentes”. Os argumentos apresentados no comunicado vão ainda no sentido de que Augusto Mendes terá deixado de ter condições para continuar como membro da assembleia, pelo que se deverá demitir.