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Cocheiro taipense atropela criança em Guimarães, em 1898
Quinta-feira, Março 26, 2020

Postal rua Santo António, Taipas, inícios séc. XX. Vendo-se o Grande Hotel Braga e a diligência.

Na edição de 18 de setembro de 1898, nº36, do periódico vimaranense “O Progresso”, é noticiado um atropelamento mortal, que ocorreu em Guimarães, na rua da Alegria. Segundo esta notícia intitulada “Atropellamento”, temos conhecimento, de que no dia anterior, à publicação deste semanário vimaranense, por volta das 5 horas da tarde, andavam duas crianças a brincar na rua da Alegria. Uma delas, Amaro, de três anos e meio de idade, filho de José Soares, atravessou essa artéria, tendo sido colhida por “um trem do alquilador Marquez das Taipas, que passava n’essa ocasião”.

De acordo, com este artigo, várias testemunhas afirmaram perante o jornalista, de que o cocheiro taipense não teve culpa neste fatal desastre, por a passagem da criança ter sido muito rápida e muito próxima dos cavalos. Na notícia é referido, que a criança sofrera graves ferimentos, pelo que se presumia “que não passe d’hoje”. O jornalista afirmava que “mais um desatre que temos a registrar devido aos imperdoáveis desleixos dos pais”.

Esta tragédia fornece-nos importantes dados sobre os transportes rodoviários na época, nomeadamente o serviço das diligências. Certamente, este cocheiro taipense faria as viagens entre Guimarães/Taipas/Braga, através da estrada real nº27. Nas suas carruagens puxadas a cavalo, este alquilador, além de servir as populações destas povoações minhotas, possibilitaria um meio de deslocação rápido e seguro, das centenas de aquistas que frequentavam o estabelecimento termal de Caldas das Taipas.