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Circus Arts Weekend recentra perspetivas sobre o Novo Circo em Guimarães
Sexta-feira, Março 9, 2018

A proposta começa por descobrir o Novo Circo por dentro, com uma manhã aberta no INAC – uma escola dedicada exclusivamente às artes do circo. E depois ver dois exemplos do que poderá ser o Novo Circo. Há uma estreia e um “clássico” no programa. Um dia de descoberta do Novo Circo – “a arte mais completa”.

Guimarães recebe ao longo de todo o dia de sábado, 10 de março, um programa dedicado ao Novo Circo. Trata-se do Circus Arts Weekend e que incluirá um conjunto de vários momentos dedicados a esta arte “difícil de catalogar”, como se refere Rui Torrinha o programador do Centro Cultural Vila Flor (CCVF).

Depois de uma edição zero, esta é verdadeiramente a primeira edição do Circus Arts Weekend, explica Torrinha. O evento parte de um trabalho de exploração que tem sido feito ao nível de novas formas de promoção do Novo Circo e de procura de investimento à crianção em Portugal. Este ano o Circus Arts Weekend acontece em março (o ano passado foi em maio) para permitir uma programação sem sobreposições com outros eventos.

Para o programador, há sinais que apontam para a confirmação de um ressurgimento do Novo Circo em Portugal. A programação de espetáculos de Novo Circo é, para Rui Torrinha, resultado de um trabalho feito em rede nos últimos anos, quer ao nível europeu, com o Circus Next; ou com uma “teia informal” de estruturas ligadas ao circo.

O programa do Circus Arts Weekend está organizado em quatro momentos. A começar na cidade vizinha de Famalicão, onde está instalado o Instituto Nacional de Artes do Circo (INAC) e que receberá o open day. Trata-se, à semelhança do que aconteceu o ano passado, com um workshop que esteve esgotado, de uma experiência alargada que é oferecida a toda a gente. O open day está marcado para as 10 horas e decorre até às 13.

No INAC, ao longo do open day, “todas as pessoas que participarem, serão conduzidas pelos próprios professores da escola”, explica Rui Torrinha. Ali “as pessoas são convidadas a sentir um pouco o risco, o equilíbrio, a criatividade, que são elementos presentes no Novo Circo” – completa.

Ao início da tarde acontecerá um debate, que é também aberto ao público interessado, mas que será mais focado “no desenvolvimento do novo olhar que pretende apoiar o Novo Circo”.

Ao nível das apresentações de Novo Circo, há dois espetáculos programados – “são dois momentos de diferentes escalas, com apelos distintos, sendo que uma é um solo e outra é uma apresentação coletiva”, explica-nos o responsável pela programação artística do CCVF.

A peça que será apresentada pela companhia Erva Daninha, faz parte do conjunto de parcerias que estão a ser mantidas ao nível do apoio à criação no Novo Circo. Trata-se de “1.5 ºC Ponto de Equilíbrio”, que se materializa num solo de Vasco Gomes e será uma estreia exclusiva no Circus Arts Weekend. “É uma peça de pequeno formato, de proximidade. Representa o apoio dado à criação nacional” – descreve Rui Torrinha.

O espetáculo da autoria de Aurélien Bory e de Phil Soltanoff é um trabalho já com alguns anos, que adquiriu, com o tempo, o estatuto de clássico. Na escolha de “Plan B” há a intenção de “ancorar as pessoas a peças fortes dos pontos de vista artístico, cénico e da própria execução”. Trata-se de uma peça de grande formato, dirigida ao grande público e que permite que os mais pequenos possam acompanhar os maiores a assistir ao espetáculo.

A peça de Aurélien Bory e de Phil Soltanoff espelha o lado criativo e surpreendente do Novo Circo, tocando tanto a dança como a dramaturgia. De resto, este cruzamento de disciplinas é o que confere ao novo circo a tal dificuldade de catalogação de que se falava no início do texto.

O Novo Circo é “a arte mais completa porque convoca para o seu interior todas as artes” – reflete Rui Torrinha. “As fronteiras são difíceis de definir e essa é exatamente a grande força do Novo Circo. Tanto tem capacidade de levantar questões, de ir buscar inspiração ao teatro e à dança, como traz uma forte capacidade de fantasia”.

O primeiro espetáculo está marcado para as 18.30 horas no Pequeno Auditório do CC Vila Flor. A apresentação de Plan B tem hora marcada para as 21.30 horas, na sala maior do CCVF. Os bilhetes têm o valor de 5 e 7,5 euros, respetivamente. O open day (10h – 13h) e o debate/conferência (16h) são de entrada livre.