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Cineclube de Guimarães propõe programa que assinala 60 anos da instituição
Cineclube de Guimarães propõe programa que assinala 60 anos da instituição
Quinta-feira, Maio 3, 2018

Programa de comemoração dos 60 anos do Cineclube de Guimarães​ começa este fim de semana com a abertura da exposição “O Cinema e a Cidade”, que estará patente na Sociedade Martins Sarmento. Carlos Mesquita, figura que se confunde com a associação vimaranense nas últimas décadas, diz que o Cineclube de Guimarães mantém a “relevância e a militância cineclubista”.

O Cineclube de Guimarães cumpre durante este ano 60 anos desde a data da sua fundação. Para assinalar a efeméride foi preparado um programa de aniversário, que incluirá uma exposição, lançamento de dois livros e, claro, a exibição de cinema. Por altura do dia de aniversário, está marcado um jantar comemorativo, para o qual estão convidados “os sócios e os amigos do Cineclube”.

Para Carlos Mesquita, presidente da Direção do Cineclube de Guimarães desde 1993, a instituição sexagenária não faz questão de colocar ênfase nas datas festivas. Para o dirigente “para o cineclube a maior comemoração é a realização de atividade” e será por esta atividade que o Cineclube de Guimarães tem conseguido “manter a sua relevância e também a sua sobrevivência”.

O Cineclube de Guimarães foi fundado a 17 de maio de 1958, num ato formal que aconteceu no então Grémio de Comércio, atualmente a Associação Comercial e Industrial. Carlos Mesquita, dirigente do clube desde 1978, lembra que a fundação do Cineclube aconteceu num momento difícil, na altura em que se vivia um período de ditadura e em que Humberto Delgado desafiava o poder de Oliveira Salazar.

Numa história com seis décadas é necessário fazer um pouco de enquadramento. Há 60 anos, ainda a RTP dava os primeiros passos. Antes disso, já havia cinema em Guimarães, com as sessões organizadas por Joaquim Fernandes, que mais tarde foi fundador do clube. Desde o seu aparecimento que o Cineclube começou a mostrar cinema a quem nunca tinha visto cinema e muito menos televisão – “isto é algo que hoje está banalizado”, reflete Carlos Mesquita, para a seguir acrescentar que “talvez tenha sido por isso que o cineclube ganhou uma consistência, um sentido de militância cineclubista”.

O jantar de aniversário procurará ser uma festa, reeditando a realização que foi feita por altura celebração dos 50 anos, em que o Cineclube reabriu propositadamente a sala do Restaurante Jordão. Desta feita, o jantar está marcado para o São Mamede, no dia 18 de maio. Foi nesta sala que se exibiu cinema pela mão do Cineclube durante 25 anos, entre entre 1971 e 1996.

O jantar terá a sua importância pela simbologia, mas há mais para mostrar, sobre a atividade e o impacto que o Cineclube teve em Guimarães. Haverá a exposição “O Cineclube e a Cidade”, que estará acessível ao público a partir das 18.30 horas de sexta-feira 4, até ao final do mês, na Sociedade Martins Sarmento. Esta será uma exposição que “pretende mostrar que o cineclube nunca existiu apenas voltado para si próprio. Essa deve ser uma das razões da sua vitalidade e longevidade” – explica Carlos Mesquita.

Fazem parte ainda do programa de celebração o lançamento do livro “Cinema e Cinefilia em Guimarães”. Este trabalho parte de um desafio lançado ao historiador e cinéfilo Paulo Cunha, no sentido de documentar a presença da sétima arte em Guimarães, ainda antes da existência do Cineclube de Guimarães. Segundo o autor, trata-se de um trabalho de levantamento historiográfico acerca de como surgiu o espetáculo cinematográfico não só na cidade mas nas vilas também.

Paulo Cunha, o autor da investigação desenvolvida nos últimos dez anos, procurou conhecer onde terão acontecido as primeiras sessões de cinema em Guimarães e que impacto social teve o aparecimento do cinema neste território. Durante a investigação foram entrevistados alguns protagonistas com memórias desse primeiro período do cinema.

O resultado da primeira de duas partes deste trabalho verá por estes dias a luz do dia. Paulo Cunha explica que é mais do que uma história e mais do que uma coleção de datas. O trabalho, que será publicado pelo Cineclube de Guimarães, procura “lançar pistas para uma interpretação da importância do crescimento, da influência que o cinema, enquanto espetáculo público, foi tendo na cidade e nos vimaranenses”. O livro será apresentado no dia 5 de maio, na Sociedade Martins Sarmento.

A outra edição será um livro sobre a praça mais emblemática da cidade de Guimarães. Trata-se de um projeto que se vem arrastando, mas que deverá ser lançado em breve, não tendo sido ainda avançada uma data. Neste caso será uma abordagem diversa da que o Toural tem merecido, explica Carlos Mesquita. Procurou fazer-se uma descrição visual de “um Toural das pessoas, um Toural vivo. Falar de uma cidade sem mostrar as pessoas é quase como mostrar uma cidade fantasma” – justifica o presidente da direção do Cineclube, com recurso às imagens bem cinematográficas do oeste americano.

Além destes motivos de celebração, estão programados ciclos de cinema, que terão a história do Cineclube de Guimarães como pano de fundo. Além da programação regular, com sessões no Centro Cultural Vila Flor, serão apresentados filmes que tiveram impacto na altura em que saíram – desde filmes mais populares até àqueles em que, normalmente, a assistência vai diminuindo ao longo do filme. Já no dia 17 de maio será exibido o filme de Giuseppe Tornatore, de 1988, “Cinema Paradiso”, numa cópia restaurada recentemente lançada. Tratando-se do dia de aniversário do clube, haverá lugar para o soprar das velas – 60.