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Cinco sapadores a proteger 6700 hectares de floresta vimaranense
Cinco sapadores a proteger 6700 hectares de floresta vimaranense
Quinta-feira, Janeiro 25, 2018

Guimarães tem a sua primeira equipa de sapadores, resultado da parceria entre a Associação de Silvicultores do Vale do Ave e a Câmara Municipal. São cinco homens e uma viatura todo-o-terreno que durante todo o ano vão fazer silvicultura preventiva, vigilância e a primeira intervenção em caso de incêndio. Vão proteger 6700 hectares de terreno florestal.

Hugo Torrinha, técnico da Câmara de Guimarães, explicou a dinâmica do comportamento dos incêndios florestais e sapadores, caracterizando o município. Trata-se de um concelho com 241 quilómetros quadrados, em que predomina o solo urbano mas tem 13 mil hectares de solo florestal. Destaque ainda para o facto de a amplitude térmica, num espaço de dez anos, ter aumentado um grau, “o que evidencia as alterações climáticas”.

Guimarães tem uma floresta onde predomina o eucalipto, em algumas situações floretas mistas com carvalhos, cerejeira, pinho bravo, castanheiro. Tem ainda bolsas de micro clima mediterrânico com a existência de alguns sobreiros. Perante este cenário, os sapadores florestais vão ter intervenção em 6700 hectares, o que ultrapassa a metade da área florestal do concelho e atuarão na rede de área florestal. “Esse trabalho teve como critério o mapa de perigosidade dos territórios, espaços, caminhos e rede de área florestal”, explicou.

Disse ainda que “a Câmara pretende fazer a limpeza da faixa de gestão de combustíveis, nos próximos cinco anos e de acordo com o Plano Municipal de Defesa de Floresta contra Incêndios, numa dimensão de 7515 hectares”. Vincou ainda que “esta limpeza de terrenos não se refere ao interface do solo urbano com o solo rural e solo florestal. Ela é para ser feita só em solo rural e solo florestal”.

Lançou ainda um alerta: “o país teve em 2003 grandes incêndios, deu umas tréguas e em 2005 outra vez grandes incêndios. A ciência sabe isto: dez a doze anos é a escala temporal necessária para voltar a ter grandes incêndios florestais com calamidades”. No caso de Guimarães, houve uma evolução a ter em conta: em 2003 Guimarães era um território com muitas ocorrências e pouca área ardida – 749 hectares -, e em 2005 já quase que duplicou para 1200 hectares. “Passamos de ser um território de muitas ocorrências e pouca área ardida para muitas ocorrências e muita área ardida”, destacando ainda o facto de os meses de junho e outubro já não serem meses de poucas ocorrências.

“Braço armado da Proteção Civil”
O presidente da Associação de Silvicultores do Vale do Ave, José Sequeira Braga, que tem a função de garantir todos os aspetos de operacionalidade da equipa, sublinhou que “os sapadores são um braço armado da Proteção Civil”. “Vão fazer silvicultura preventiva no inverno e na época de incêndios terão a responsabilidade de fazer vigilância e uma primeira intervenção”, disse, esclarecendo que “não vão fazer combate por não estarem equipados e treinados”, estando aptos a “fazer o rescaldo”. Esta associação tem levado a cabo este projeto de instalação de equipas de sapadores nos vários municípios sendo que Guimarães se junta agora a Famalicão e Santo Tirso.

O município de Guimarães tem um protocolo de cooperação com a Associação de Silvicultores, por forma a garantir as medidas adotadas pelo Governo da República para a prevenção, limpeza e reflorestação das áreas florestais. O presidente de Câmara vincou a importância “das sinergias criadas entre as diferentes instituições” que significam “contributos decisivos para que tudo tenha o melhor resultado”.