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Capital Verde (III): governança
Quinta-feira, Junho 25, 2020

Voltando à série de textos que me propus escrever sobre a candidatura de Guimarães ao galardão de Capital Verde Europeia (CVE), elegi a “governança” como o indicador a analisar.

Como desconheço a realidade das cidades concorrentes, corro o risco de ser injusto, mas como estou bem a par do que se passa em Guimarães, a percepção que tenho é a de que, neste indicador, a classificação obtida será uma das que está mais distante da realidade. Guimarães obteve o segundo lugar no ranking da governança, mas o que é descrito na candidatura não reflete de todo o modo como é gerido o planeamento e monitorização das questões ambientais do município.

Eis algumas passagens da candidatura:
– Guimarães é única;
– nos últimos 30 anos, a gestão ambiental de Guimarães teve como objetivo ser um modelo de desenvolvimento urbano caracterizado pela diferença, audácia e inovação;
– a Câmara Municipal encoraja a participação publica contínua;
– Guimarães é já hoje um modelo e inspiração com o seu espírito pioneiro, sua estratégia, prioridades, projetos e investimentos;
– Existem modelos de participação pública na análise, tomada de decisão e intervenção de todas as propostas e projetos;
– Guimarães tem a filosofia, visão e planos concretos para ser sustentável e “mais que verde”;
– Guimarães tem o Plano Sustentável Guimarães 2030;

Estas e outras informações prestadas na candidatura não passam de fantasia ou na realidade são disfuncionais, como é o caso do Comité de Acompanhamento ou do Conselho Consultivo.
Mas para mim, o que é realmente grave, até porque é uma falsidade, é afirmarem que existe o tal Plano Sustentável Guimarães 2030, quando na verdade ele ainda não terá sido concluído, como aliás se depreende de uma das funções que foi atribuída à nova Estrutura de Missão para o Desenvolvimento Sustentável – Guimarães 2030 é: “ continuar a elaboração do Plano para o Desenvolvimento Sustentável de Guimarães.

É sem dúvida mais uma faceta da tal “ficção mais do que verde de uma realidade pouco mais que cinzenta”.