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Caminho para a maturidade
Segunda-feira, Setembro 24, 2007

Se maturidade e auto-realização forem palavras bem entendidas, significam a mesma realidade, ou seja, que a pessoa amadureceu o seu ser até realizá-lo nas suas várias potencialidades. Não se trata, pois, de realizar um projecto de vida (como certas psicologias entendem a auto-realização), mas de realizar o próprio ser de pessoa única no mundo. Neste sentido, todos podem realizar-se, até quem, desde há muitos anos, esteja sentado numa cadeira de rodas.

O caminho de amadurecimento supõe alguns outros caminhos, que podemos exprimir com estas palavras: libertação, desenvolvimento, hierarquização e harmonização.

Libertação
A pessoa que quer amadurecer o seu ser deve “libertar-se” dos condicionalismos externos ou internos que bloqueiam o caminho de crescimento. Libertar-se dos condicionalismos externos significa interiorizar (isto é, fazer próprios) os influxos positivos do ambiente, isto é, todos os influxos de verdade e de amor que fazem crescer o meu ser, que me amadurecem, que ajudam a tornar-me mais eu próprio. Libertar-se dos condicionalismos externos significa, pois, neutralizar os influxos negativos, presentes no ambiente, que tendem a destruir o meu ser, feito para a verdade e para o bem.

Mas não é suficiente este trabalho, é preciso libertar-se também dos condicionalismos internos que bloqueiam o crescimento, tais como o orgulho, a inveja, o ciúme, a luxúria, a violência, a timidez, o egocentrismo…

A quem dissesse que: “É preciso já ser maduros para libertar-se de todos estes condicionalismos”, responderíamos que, por um lado, é preciso já ser maduros para se querer libertar; por outro lado, é preciso libertar-se para tornar-se maduros. Portanto, trata-se de uma intervenção gradual e progressiva, que cada um de nós tem que fazer sobre o seu próprio ser.

Desenvolvimento
Não basta esta intervenção de libertação. Para amadurecer é necessário desenvolver todas as potencialidades positivas do próprio ser: a inteligência, a vontade, a liberdade, a memória, a afectividade, as capacidades executivas…

Hierarquização
Quem quiser atingir a maturidade tem que hierarquizar as suas faculdades, respeitando a sua importância e a sua ligação interior. É preciso, por isso, dar:

– o primeiro lugar à inteligência, à qual compete indicar, com verdade, os valores para que o homem é feito;

– o segundo lugar à vontade, à qual compete escolher os valores que foram indicados pela inteligência;

– o terceiro lugar à afectividade e aos instintos, aos quais compete vibrarem perante os valores;

– o quarto lugar às faculdades executivas, que devem agir para que a pessoa atinja os valores que foram indicados pela inteligência e escolhidos pela vontade.

Se uma pessoa se deixa, por exemplo, guiar pelos instintos e não respeita a importância das suas faculdades, nunca poderá ser uma pessoa harmonizada.

Harmonizar
A harmonização ou integração das faculdades é a consequência das intervenções anteriores. A harmonização das faculdades permite que a pessoa se torne interiormente unificada, ou seja, madura.

Contudo, para atingir a maturidade existe um caminho direito brevíssimo: desenvolver o centro do ser humano, que é a capacidade de amar. Amadurece-se amando.

Quem atingiu a capacidade de amar, ao ponto de se esquecer e de se sacrificar a si mesmo, é maduro.