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Caldas das Taipas: um futuro possível
Quinta-feira, Fevereiro 4, 2021

Acredito que o inicio desta década de 2020  ficará na história como o ponto de inflexão da linha que regista a agressão dos seres humanos ao planeta onde vivemos.

A pandemia é real, está neste momento à nossa porta. Mas numa perspectiva de sustentabilidade, de futuro, a grande ameaça é outra, que não está aqui e agora, mas que não pode deixar de ser encarada por todos como se de um vírus mortal se tratasse. O combate ao aquecimento global e às consequentes alterações climáticas é o grande desafio mundial para as próximas décadas.

A atual política europeia está centrada nesse desígnio, tendo sido incorporado no novo orçamento plurianual da União Europeia e no plano de recuperação delineado para superar a crise causada pelo Covid 19. Estas importantes ferramentas de financiamento e a crescente consciência global da insustentabilidade do status quo,  constituem um contexto excecional para quem precisa de ajustar o seu rumo à realidade emergente. Uma oportunidade que exige coragem a quem governa e responsabilidade aos cidadãos.

Em Portugal, o aproximar de um novo ciclo político ao nível local confere um caráter ainda mais premente à reflexão e definição do tal “ajuste de rumo”. Assim, em jeito de desafio e contributo, partilho aqui com os leitores alguns vislumbres de um futuro possível para as Caldas das Taipas:

  1. A vila das Taipas está ligada a Guimarães por uma rede de transportes públicos e ciclovia que permite aos seus fregueses optar por não ter ou usar carro. Isso possibilitou uma reorganização do espaço público, que foi densamente humanizado e arborizado, tendo sido condicionado o trânsito de atravessamento.
  2. A bolsa de aparcamento de apoio à centralidade da vila está construída no terreiro da feira semanal rentabilizando o solo já urbanizado e impermeabilizado.
  3. Nos terrenos do Avepark foi construída uma residência, e nas imediações nasceu a Quinta Digital e a Aldeia da Ciência, todos eles locais para albergar trabalhadores das empresas lá instaladas. Estes foram alguns dos projetos concretizados com o “Fundo do Fim da Via”, nome de batismo popular para a verba que ficou disponível com a renegociação do apoio estatal prometido para a concretização da via do Avepark. Em boa hora o Município entendeu que mais valia criar facilidades e atratividades para que quem vem trabalhar no Avepark possa ficar por cá a viver, do que criar facilidades para se porem no Porto ou em Braga e por lá deixarem o que cá ganham. O acerto da decisão ficou reforçado pela evidência da inutilidade da via, como o comprovou a fluidez de tráfego na estrada nacional 101 depois de consolidada a rede de transportes públicos.
  4. A zona ribeirinha, e a quantidade de árvores e zonas ajardinadas, propiciam um clima mais ameno, constituindo um refúgio para os residentes na sede do concelho que querem escapar às ondas de calor na cidade, e um fator de atratividade de residentes e visitantes. Toda a zona do parque está mais naturalizada. A galeria ripícola foi recuperada, o parque de campismo e os cortes de ténis foram relocalizados, alargando a zona do parque de usufruto público e salvaguardando esses equipamentos das frequentes inundações.

E o leitor, que futuro possível vislumbra para a vila da Taipas? E sabe qual é a visão de futuro de quem pretende governar o território?