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Caldas das Taipas a (des)propósito XXXIX – A renovação da Avenida do Parque da Junta de Turismo da Estância Termal das Taipas, agora Alameda Rosas Guimarães
Sábado, Dezembro 19, 2020

1940 – Autor da foto: Dr. Alfredo Fernandes, sendo proprietário legítimo da mesma Carlos Marques

Agora que começaram as obras de melhoramento da alameda, acesso viário, pedonal e no aformoseamento do ajardinado dos seus canteiros.

Se a 15 de Dezembro do ano de 1939 se concluiu a construção com a dimensão que ainda hoje perdura e sem qualquer alteração, como a fotografia do Dr. Alfredo Fernandes mostra, com amplos espaços pedonais e viários já de sentidos únicos e com grandes baías para estacionamentos, em tempos que poucos carros lhe acorriam. Tal era a visão de futuro dos então únicos responsáveis pela obra, os membros da Junta de Turismo de Caldas das Taipas, presidida por José Eduardo de Carvalho Crato, acompanhado por Tomás Rocha dos Santos e José Francisco Rosas Guimarães, no seu primeiro mandato.

A obra foi adjudicada ao empreiteiro Francisco Pereira de Sousa, mestre pedreiro de Santa Maria de Souto que aplicou materiais de primeiríssima qualidade, ao todo 1.574 metros longitudinais da mais bela cantaria

A obra foi executado sob rigorosíssimas Condições Gerais e Programa de Concurso, veja-se a título de exemplo a qualidade da pedra ”a pedra para as guias e as contra-guias serão de granito de grão fino, escolhido nas pedreiras em que os bancos forem mais homogéneos, será dura, de grão homogéneo e apertado, não geladiça, inalterável pela água e agentes atmosféricos, sem fendas, veios ou lesins, perfeitamente, sã e de coloração uniforme e limpa de qualquer matérias estranha. A pedra não deverá ter falhas no leito, afim de aprese tar uma altura sensivelmente uniforme. As guias dos passeios serão em granito de grão fino trabalhadas a pico fino com as arestas em quina viva ou chanfradas, todas aparelhadas, conforme determinar a Fiscalização dos trabalhos, terão de comprimento mínimo 1,0 e máximo de 1,30 metros, altura fixa de 0,35 e de largura 0,30 metros. As juntas não terão mais de 0,5 cm, e tomadas a cimento e areia fina ao traço de 1:2.

O assentamento das guias foi feito de tal modo perfeito e sólido, com cuidado que não se vê, volvidos oito décadas nenhum desalinhamento nem declive. Cumpriram-se as regras da arte e as instruções da fiscalização dos trabalhos, pese embora os atropelos que os carros lhe causaram nos meses de verão, ao estacionarem em cima deles, desde que deixou de funcionar a nossa Junta de Turismo.

A obra contemplou também a sua iluminação como também mostra a imagem, com uns belíssimos candeeiros, de tão boa memória, oxalá voltem a colocá-los pois ainda são fabricados aqueles lampiões na fábrica de Albergaria-a-Velha.

Não conheço o actual projecto de renovação, só ouvi falar da mudança de local do pedestal com a imagem do Snr. Rosas Guimarães, de que eu fora incumbido como representante da Junta de Freguesia de então, para que ele estivesse presente no seu descerramento, sem sucesso, tal a sua nobreza de caracter, disse-me 10 minutos antes daquele acto, que não queria qualquer homenagem, pois tudo o que fizera em prole da terra, foi por dever de a servir e de consciência, no dia 19 de Junho de 1990, quando das comemorações dos 50 anos de elevação a vila da nossa localidade. O que se deva fazer, não é mudá-lo de sítio, até porque foi colocada com o Snr. Rosas Guimarães ainda vivo no topo da avenida pela qual tanto lutou, Mas, colocar para onde o querem mudar outros pedestais com busto ou alusão a outro(s) mais ilustre(s) taipense(s) que abnegadamente serviram a nossa terra, por exemplo quem no ano de 1922 esteve na formação da Comissão de Iniciativa e Turismo da Estância Termal das Taipas, projectou e construiu o Parque de Turismo e Lazer, na forma que ainda hoje mantém, bem como as Avenidas Novas, a Alameda Rosas Guimarães e a Rua Joaquim Ferreira Monteiro. Dentre outros, os projectistas, Engenheiro Auxiliar de 1ª Classe, António Martins Ferreira em Abril de 1924, e o Doutor Domingos Rosas da Siva em Novembro de 1929, num investimento projectado de 240.000$00. A par dos servidores das Taipas no Turismo daquele tempo, onde pontificava o Dr. Alfredo Fernandes, coadjuvado por Dr. João Antunes Guimarães, Francisco Pereira Silvério, António Caetano da Silva, José Jacinto Júnior, Abílio da Silva Oliveira, Dr. Florêncio Leite Pereira de Sousa Lobo, Adelino Ferreira Manso e Fernando de Sousa Ribeiro de Abreu.

Em visita recente que fiz ao local, soube que irá ocorrer uma grande diminuição de espaços para estacionamento de carros, o que mais fundamenta a absoluta necessidade da construção dum parque subterrâneo para servir a vila de Caldas das Taipas, que é duma enorme dimensão.

Se o presente projecto não esteve em consulta pública, muitas foram ao longo dos últimos tempos as conversas acerca da Alameda do Parque, designadamente no PGU das Taipas, nos PDM´s de Guimarães, e, em acesas discussões locais, desde logo nas sessões da Assembleia de Freguesia, uma das quais pela sua qualidade aqui destaco, na noite do dia 18 de Julho de 1996, a do agora vogal da junta, o Snr. António Joaquim Oliveira pedir no que diz respeito à construção particular na Alameda Rosas Guimarães, que se deveria reclamar como moeda de troca, isto é, ao Proprietário do terreno contíguo em construção, e consequentemente à Câmara Municipal de Guimarães, a cedência duma área de terreno para a Junta de Freguesia, ali instalar a sua sede.