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Brigadas (somente) Verdes
Quinta-feira, Janeiro 26, 2017

Guimarães é uma anunciada candidata a Capital Verde Europeia (CVE) de 2020, e concordando ou não com a forma e o trajeto escolhido, entendo que o caminho vai na direção certa e que todos devemos colaborar no seu percurso.

Mas colaborar não é limitarmo-nos a dizer ámen e a aplaudir. Colaborar também passa por questionar, discordar, sugerir. Mesmo que correndo o risco (ou quase certeza) de ser rotulado “inimigo” da causa.

Dito isso, hoje vou colaborar com a minha opinião sobre as Brigadas Verdes.

A propósito do “Compromisso Guimarães Mais Verde”, descrito como um programa que tem “por objetivo desafiar os vimaranenses e as suas instituições a comprometerem-se com o projeto de construir um Município mais sustentável, protegendo a natureza e respeitando o ambiente”, o Presidente da Câmara Municipal, Domingos Bragança, lançou por sua vez o desafio às freguesias para constituírem as Brigadas Verdes.

Não sendo nem a ideia nem o nome inovadores ou originais, creio ser um projeto com potencial, e merecedor de ser replicado e generalizado pelo concelho, como pretendido pelo município.

As primeiras Brigadas Verdes foram recentemente constituídas e muitas outras estão em preparação. Sendo prematura qualquer avaliação, fico na expectativa de que a sua constituição, estrutura e orgânica possa ser participada pelas forças vivas locais, refletindo e comprometendo a população que representam (ainda que na maioria dos casos as forças vivas não passem de extensões – ou oposições- do poder local, mas isso faz parte doutra história).

Mas apesar do mérito e potencial do projeto, e das expetativas nele depositadas, tenho receio que em ano de eleições autárquicas algumas freguesias venham a instrumentalizar as Brigadas Verdes, seguindo o exemplo da câmara municipal que tem usado a candidatura a Capital Verde Europeia como uma bandeira partidária.

Se o lema é “Todos por Guimarães” ou “Eu faço parte”, e se o objetivo passa necessariamente por unir todos os vimaranenses por uma causa, partidarizar esse desígnio não faz qualquer sentido e é obviamente contraproducente.

Parece que vamos ter uma candidatura a Capital Verde Europeia em tons de rosa, mas espero bem que as Brigadas sejam (somente) Verdes. Sejamos atentos e colaborativos.