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Bragança crê que pode obter até 400 milhões para revolucionar mobilidade
Bragança crê que pode obter até 400 milhões para revolucionar mobilidade
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Terça-feira, Fevereiro 23, 2021

Apesar de já se ter falado em 200 milhões de euros para a ligação a Braga, o presidente da Câmara diz que Guimarães pode tentar até 400 milhões para transformar mobilidade concelhia.

Em Outubro, o Governo anunciou a intenção de ligar Guimarães e Braga por metrobus (autocarro com linha própria, também conhecido como BRT); o investimento ronda os 200 milhões de euros, no âmbito do Plano Nacional de Investimentos para 2030. Até ao fim da década, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães deseja igualmente “alterar toda a mobilidade” do concelho, mantendo a convicção de que o pode conseguir com um financiamento até 400 milhões de euros. “Para fazermos isto tudo até 2030 neste sistema de mobilidade, precisamos de cerca de 400 milhões de euros para Guimarães, com meios financeiros da União Europeia e do Governo. Este é o futuro. Tornarei irreversível este projecto”, afirmou, durante a reunião do executivo municipal, decorrida nesta segunda-feira.

Para o autarca, essa meta só é concretizável se Guimarães garantir um mínimo de 20% de comparticipação nacional – 80 milhões de euros, caso o financiamento total seja de 400 milhões, ou 60 milhões, caso o financiamento seja de 300 milhões. “Vou falar somente num valor de 300 milhões de euros para Guimarães. Se tivermos 20%, são 60 milhões de euros do Estado. Por ano, seriam seis milhões”, projetou.

Garantida essa comparticipação, o município pode tentar obter a verba em falta através da União Europeia, seja através da bazuca (Plano de Recuperação e Resiliência) ou do programa operacional Portugal 2030 (próximo quadro de fundos comunitários), acrescentou.

Esse dinheiro, observou Domingos Bragança, servirá para garantir a ligação de Guimarães à estação ferroviária de alta velocidade – “coluna vertebral da ligação entre Lisboa e Espanha” -, com localização prevista para o território entre Braga, Barcelos e Famalicão, e a restruturação da mobilidade vimaranense. Para projetar a ligação a Braga, o município dispõe, para já, de um estudo prévio da Universidade do Minho. Já para a “revolução física” no concelho, o presidente da Câmara espera contar com o especialista em mobilidade Álvaro Costa, da Universidade do Porto, e lançar um “debate público na sociedade vimaranense”. Para esse desígnio avançar, é fundamental tudo estar decidido até 2024, avisou.

“Se não desenvolvermos os estudos e não falarmos com a sociedade vimaranense, há de passar a década e não teremos nada”, vincou. “O que fizermos até 2024 será decisivo para mudarmos ou não a nossa mobilidade. Temos de ter as candidaturas aprovadas até 2023 ou 2024 para avançarmos para a aquisição de terrenos”.

 

Guimarães: porta de entrada para o “litoral”

A propósito da intervenção de André Coelho Lima, a sugerir a eventual interiorização de Guimarães, Domingos Bragança realçou que o território vimaranense “nem é interior, nem litoral”. É, sim, “o portal de entrada do interior para o litoral do país”. O autarca espera que os futuros projectos de mobilidade urbana reforcem esse papel, tendo defendido que a solução do tramway para Braga está em cima da mesa, apesar das reticências dos três municípios parceiros no Quadrilátero Urbano. “O Quadrilátero não se interessou, porque achou que não havia financiamento para isto. Continuei a trabalhar com o Governo e o ministro do Ambiente mostrou-se convencido pela minha convicção, dizendo para avançar com os projectos”, referiu.

Para o autarca do PS, tal esforço revelou-se igualmente para a concretização da via do Avepark, cuja primeira fase, o desnivelamento de Silvares, está praticamente concluída. Bragança frisou ainda que a demora na execução do projecto – a discussão pública iniciou-se em 2014 – é comum no meio autárquico e da “contratação pública”. O presidente da Câmara rejeitou assim as críticas do PSD quanto à mobilidade concelhia, indicando que os vereadores “têm sempre uma folha em branco” para escrever à medida que o executivo socialista anuncia as suas “ambições para Guimarães”.