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Biblioteca escolar da Charneca como exemplo da atuação da sociedade civil
Biblioteca escolar da Charneca como exemplo da atuação da sociedade civil
Paulo Dumas
Quinta-feira, Março 8, 2018

Está em fase de execução a obra de construção do que será a biblioteca escolar da Escola EB1 da Charneca. A iniciativa partiu da Associação de Pais, que elaborarou o projeto. A autarquia assegura o custo da obra que deverá ficar concluída em meados de abril.

Desde início de fevereiro que está a nascer, na Escola EB1 da Charneca, uma nova estrutura que irá albergar futuramente a biblioteca daquela escola. Este é um esforço que parte da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Charneca e que visa dotar aquele equipamento escolar de uma biblioteca e de uma sala de leitura para as crianças da Charneca. A obra está a ser executada pela Câmara Municipal de Guimarães.

De acordo com Filipe Neiva, presidente da associação, trata-se de uma ideia que vem com três anos e que transita do anterior mandato autárquico e ia ao encontro de dotar a escola com uma biblioteca. Adelina Pinto, a vereadora com a pasta municipal da Educação, lembra que desde há muito se fala na possibilidade de instalar uma biblioteca na escola. Foi processo longo, devido ao facto de não existir na escola espaço para albergar uma biblioteca.

Imagem virtual do anexo que está a ser construído na escola da Charneca e que deverá albergar a biblioteca escolar.

No seguimento desta iniciativa, já anteriormente os pais e encarregados de educação da escola se organizaram para construir uma cobertura num dos pátios da escola. Estas iniciativas são possíveis tanto com o financiamento proveniente do apoio para as Atividades Extra Curriculares, como do algum esforço pessoal dos pais. Adelina Pinto sublinha a posição “sempre pró-ativa” da Associação de Pais na liderança do processo. “A ajuda deles foi imensa quer na elaboração do projeto, quer nas ideias, quer na dotação da escola de meios informáticos, permitindo ao município libertar verbas para esta construção” – refere a vereadora.

Para o representante dos encarregados de educação da escola da Charneca, este é um exemplo de como a sociedade civil pode atuar na resolução de problemas que são comuns – “não podemos ficar à espera que seja o Estado a resolver tudo, a sociedade civil e, neste caso, os pais, terão de se envolver na resolução de problemas que são comuns”, diz-nos Filipe Neiva.

No entanto, apesar do envolvimento da Câmara Municipal de Guimarães no processo, através da vereadora Adelina Pinto, Filipe Neiva queixa-se que no setor público as coisas custam mais acontecer. “Há muita inércia no setor público, foram necessários três anos e meio para chegar ao ponto que estamos agora”, desabafa este pai, que está no seu último ano à frente da associação representativa dos encarregados de educação.

E neste ponto, a biblioteca da escola da Charneca irá ser instalada numa nova construção que está a nascer contígua ao edifício da escola. Esta nova facilidade surge num equipamento que, de acordo com a Associação de Pais, se encontra lotado e por isso não fazia sentido estar a requalificar uma das salas de aula, porque são necessárias para esse fim. A obra está a 20% da sua execução e a ideia é que após a sua conclusão seja integrada na Rede  Nacional de Bibliotecas.

A Câmara Municipal de Guimarães é a dona da obra que está orçada em cerca de 66,5 mil euros. O projeto foi elaborado com recurso aos meios técnicos profissionais que existem na própria Associação de Pais. A futura biblioteca será equipada com mobiliário da antiga escola EB 2,3 e este é o contributo do Agrupamento de Escolas de Caldas das Taipas. A obra deverá estar concluída em meados de abril, “caso as condições climatéricas assim o permitam” ressalva Adelina Pinto.

Faltam os livros, porque não há biblioteca sem livros. Filipe Neiva assegura que já existem alguns na escola, embora confesse que este seja um aspeto que não está ainda definido. Houve, até agora, ofertas de livros que foram recusadas por não haver espaço onde os colocar.

NOTA DE REDAÇÃO
Na edição de março de 2018 do jornal Reflexo, onde esta notícia foi originalmente publicada, a fotografia que a ilustra foi trocada devido a um lamentável erro de paginação. Aos nossos leitores da edição em papel, assim como aos visados na notícias, pedimos as nossas sinceras desculpas.