Avepark e economia concelhia agitam reunião de Câmara (parte 1)
Avepark e economia concelhia agitam reunião de Câmara (parte 1)
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Sábado, Maio 4, 2019

Começou antes da ordem do dia mas a discussão foi-se prolongando durante a reunião de Câmara de 2 de maio, até esta mesmo ter terminado. Bruno Fernandes e Domingos Bragança trocaram, mais uma vez, argumentos que começam a ultrapassar os assuntos em causa.

Um site, do Avepark, que não estaria disponível, a questão das acessibilidades ao mesmo e uma deficiente aposta na economia do concelho foram as críticas deixadas pelo vereador social-democrata, secundadas por André Coelho Lima.
Do outro lado político, Domingos Bragança e Ricardo Costa rebateram essas acusações e defendem que o Avepark e a vitalidade económica estão no caminho certo.

“Temos uma grande proximidade com o tecido económico”, Ricardo Costa
O vereador responsável pela pasta económica concelhia começou por dizer que o Avepark tem um novo site desde há um ano, mas que por questões de funcionalidades e técnicas só há dois meses é que está online. Quanto às críticas da parte do desenvolvimento económico do concelho, Ricardo Costa classificou-as de “gratuitas e demagógicas”.
Desafiou o vereador Bruno Fernandes a reunir com os empresário vimaranenses e mesmo fora de Guimarães para ouvir o que estes têm a dizer sobre o desempenho da Câmara nesta área e da “proximidade que existe com o tecido económico, com os centros de conhecimento e o próprio governo”.
Relativamente ao número do desemprego em Guimarães, Ricardo Costa deu conta de que, em 2013, “o município tinha 13.288 desempregados e, em 2018, fechou com 5.421, menos 8 mil pessoas desempregadas”. Destacou também o índice de concentração do volume de negócios das empresas do concelho que “é de apenas 6 por cento”, enquanto o de Famalicão “é de 39 por cento, valor que significa que depende de uma só empresa”. Foi acrescentando que gostaria de ver no concelho grandes multinacionais, mas que Guimarães tem outro tecido empresarial. Destacou o investimento de 3 milhões que a TMG está a aplicar em Guimarães num armazém robotizado e que 70 por cento do seu volume de negócios depende de Guimarães, mas não conta para Guimarães, mas que a sede não está em Guimarães, como outros casos, caso da Polopiqué e da Intraplás. Ricardo Costa concluiu a sua intervenção afirmando que “se há setor e se há área em que Guimarães evoluiu e muito, não há dúvidas, foi a nível económico”.
Sobre o Avepark, Ricardo costa referiu que todas as parcelas estão praticamente comprometidas e que terá uma reunião a curto prazo com o dono dos terrenos junto da entrada deste parque de ciência e tecnologia (cerca de 10ha), para se negociar a sua aquisição.

“Parte do desemprego em Guimarães é resultado da inoperância da Câmara Municipal”, Bruno Fernandes
Como referimos no início, foi Bruno Fernandes que deu o mote para esta discussão. O vereador social-democrata começou por afirmar que a “estratégia de promoção de desenvolvimento económico da Câmara Municipal é um fracasso evidente”. Apontou três exemplos: “a taxa de desemprego em Guimarães mantém-se estável, nos 7,8%, há mais de um ano, quando, nos concelhos da dimensão do de Guimarães, tem diminuído progressivamente. Parte do desemprego em Guimarães é resultado da inoperância da Câmara Municipal”. O segundo exemplo avançado por Bruno Fernandes foi o do estado dos parques industriais do concelho, que foi classificando de “desestruturados, sem infra-estruturas e sem acessos dignos”.
Por último, referiu-se à “depauperada” rede de transporte públicos, que “não fomenta a coesão do território” e “não responde às necessidades da população.” Concluiu, dizendo que “esta postura política de que basta acarinhar o que temos, que é suficiente, pode ser suficiente para a promoção do senhor vereador Ricardo Costa, mas não é suficiente para diminuir a taxa de desemprego”.