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Aventuras amorosas ou relações pré-matrimoniais?
Sexta-feira, Setembro 1, 2000

1. A propósito de aventuras amorosas ou de relações pré-matrimoniais: se porventura acontecer que o rapaz diga à rapariga: “Ou alinhas, ou deixo-te ficar!”, o que é que a rapariga deve responder?

A resposta que nos vem mais espontânea para sugerir é esta: “É melhor perder-te do que encontrar-te! A resposta pode parecer dura ou excessiva, mas adapta-se bem à proposta, que é pura e simplesmente uma chantagem: “Ou fazes o que eu quero, o que me convém, ou deixo-te ficar, vou com outra!”.

Poder-se-á aceitar uma relação baseada na chantagem? (Se o rapaz já faz agora chantagem com a rapariga para satisfazer os seus desejos, o que é que será no futuro?). Poder-se-á aceitar uma relação em que na base não esteja o amor? (De facto, o rapaz está disposto a deixar, a abandonar a rapariga). Poder-se-á aceitar uma relação em que a rapariga se torne unicamente uma coisa, um objecto? (De facto, o rapaz só deseja o corpo da rapariga, não considera os seus sentimentos, a sua vontade e pensamentos).

Ser reciprocamente uma pessoa significa estabelecer uma relação de paridade, de igual para igual, baseada no respeito, na atenção e na estima. Ser uma coisa ou objecto para o outro significa:
– aceitar ser usado,
– aceitar ser sem dignidade,
– aceitar sujeitar-se às escolhas dos outros.

Alguma rapariga digna e honrada poderá aceitar ser uma coisa (ou um objecto) submetida aos desejos de um rapaz? E no entanto, muitas raparigas acabam por ceder com medo de serem abandonadas. Por outro lado, para a rapariga também se coloca o problema de não servir-se do rapaz. Também ela pode servir-se do rapaz
– para não se sentir só;
– para ter alguém com quem sair;
– para se mostrar importante diante das amigas…

A rapariga deve ser capaz de se interrogar acerca do seu próprio futuro: “O que quero? Quem quero? Quero um marido que ande comigo se tiver vontade (desejo)? Ou quero um marido que se dê a mim de maneira respeitosa e amorosa?”.

2. Penso que muitos jovens concordem em dizer “não” às relações sexuais feitas por brincadeira, baseadas na mútua instrumentalização. Mas nem todos, ou poucos, concordam em dizer “não” às relações pré-matrimoniais.

Antes de mais, é preciso que nos entendamos sobre este ponto: quando é que uma relação pode ser chamada pré-matrimonial? Hoje em dia, existe o hábito de “arranjar um rapaz ou uma rapariga” (é assim que se diz em alguns lados; noutros lados diz-se: “arranjar um namorado ou uma namorada”). E “arranjar um rapaz ou uma rapariga” muitas vezes significa trocar mimos ou relações sexuais ou algo semelhante. É importante que se note: que aquela rapariga (ou rapaz) não é o tu, a pessoa com quem se deseja realizar uma unidade harmoniosa para toda a vida. É só o partner, a/o parceira/o de turno! A seguir, virá uma/um outra/o parceira/o e outras/os mais.

É preciso ter a coragem e a coerência de não chamar “pré-matrimoniais” às relações que se têm com a/o “parceira/o de turno”. Não merecem este nome. São simplesmente relações instrumentalizadoras, efectuadas pura e simplesmente com o objectivo do prazer.

3. Quando é que se pode chamar “pré-matrimonial” uma relação sexual?
Quando é efectuada por duas pessoas que vivem num verdadeiro estado de noivado:
– encontraram-se;
– gostaram um do outro;
– conhecem-se e amam-se;
– já decidiram casar-se;
– entretanto, antes de se casarem, querem fazer uma posterior caminhada de conhecimento e de amor.
(Continua…)