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Avante!
Quinta-feira, Setembro 3, 2020

Começou em Maio o folhetim da Festa do Avante. Os figurantes do costume tiveram mais tempo e mais meios para alimentar o ódio à Festa e ao PCP. Em vários programas televisivos sobre o tema com todo o tipo de convidados, sempre com a particularidade de nenhum ser comunista, foi repetido até à náusea por gente que não tem vergonha na cara, porque sabem que é mentira, que os festivais foram proibidos e houve excepção apenas para o PCP. Tudo isto com o alto patrocínio dos órgãos de comunicação social cujo comportamento perante o PCP deveria ser motivo de preocupação da Entidade Reguladora da Comunicação social e de todos os democratas.

Não é de agora esta aversão à festa por parte dos sectores mais reacionários da nossa sociedade. São conhecidas as dificuldades e entraves que a Festa do Avante! teve desde a sua primeira edição.

O primeiro episódio desta campanha começou com um ataque bombista ao gerador eléctrico da FIL – Espaço onde se realizou pela primeira vez a Festa do Avante! em 1976. Saíram goradas as intenções do MDLP – movimento terrorista de extrema direita – porque a Festa fez-se, e foi um grande acontecimento político e cultural.

A segunda edição, em 1977, foi empurrada para o Vale do Jamor, terreno amplo mas que exigiu um grande esforço para a sua preparação: Limpeza do terreno, abertura de caminhos, vedação, água e saneamento, luz, etc. Tarefa árdua e difícil mas conseguiu-se, e a festa atraiu milhares de pessoas ultrapassando de longe a primeira edição.

No Jamor, quando o terreno já estava minimamente adaptado e não necessitava do mesmo  esforço inicial para a sua implantação a Festa apenas teve duas edições. Um terreno que esteve abandonado tantos anos de repente despertou interesse à autarquia lisboeta.

E lá teve que se arranjar alternativa no Alto da Ajuda, local com uma linda vista sobre Lisboa. Mais uma vez foi necessária uma grande intervenção para a instalação das infraestruturas, semelhante à do Jamor, para que pudesse acolher a festa em boas condições.

O êxito crescente da festa na Ajuda fez com que aos mesmos de sempre arranjassem argumentos para a retirar dali onde esteve até 1986. Como a câmara, cujo presidente era Cruz Abecassis do CDS, não apresentou alternativa ao PCP para a sua realização, em 1987 a festa não se realizou.

Em 1988, instalou-se em Loures, onde esteve dois anos, e foi aí que, em 1989 Álvaro Cunhal anunciou uma campanha de fundos a nível nacional para se adquirir um terreno para a festa, na Quinta da Atalaia, em Amora, concelho do Seixal.

A partir daqui o espaço da festa deixou de depender dos que nunca manifestaram grande vontade na sua realização, e para isso contou com a contribuição generosa de milhares de portugueses: comunistas, amigos e de muita gente de outros partidos

A Festa do Avante! depende de quem a promove e organiza e a sua construção e implantação é feita pela militância de camaradas e amigos do PCP. A Festa do Avante! de 2020 vai ser diferente apenas naquilo que tem que ser. No resto será a Festa do Avante! de sempre.

Torcato Ribeiro, Setembro 2020