Assembleia de Freguesia de Caldelas comemora os 79 anos da vila das Taipas
Assembleia de Freguesia de Caldelas comemora os 79 anos da vila das Taipas
Paulo Dumas
Sexta-feira, Junho 21, 2019

Nesta sessão, que foi abrilhantada por um quarteto de músicos da Banda de Musical das Taipas e pelos alunos da Escola da Charneca, o projeto final de requalificação do centro da vila continua a gerar preocupações.

Apesar da sobreposição de calendário desta sessão solene com a Assembleia Municipal de Guimarães, o presidente da Câmara Municipal, Domingos Bragança, marcou presença nos minutos iniciais desta sessão evocativa. Teve tempo de assistir à atuação do quarteto de músicos da Banda Musical das Taipas e à apresentação teatral do livro “Taipinhas mostra a sua vila”, pelos alunos da Escola da Charneca, bem como, de ouvir alguns elogios e preocupações no discurso do presidente da Junta de Freguesia.

Quase todos manifestaram preocupações e dúvidas quanto ao projeto final para a requalificação do centro da vila. Acessibilidades, vias de acesso à sede de concelho e autoestrada, o Rio Ave, bem como a recuperação e alargamento das margens do rio continuam a ser os problemas de sempre, mas sem solução à vista desarmada.

Mas também foram identificados sinais positivos, como é o caso da nova Escola EB 2/3, o pulular da vila e das suas coletividades com várias iniciativas a acontecer, o orgulho nas Taipas, e a importância de um bom poder local.

No final deste artigo estão disponíveis os discursos na integra proferidos nesta sessão solene.

Domingos Bragança foi um bom teimoso

Luís Soares realçou a boa teimosia do presidente da Câmara na ideia de construir uma escola totalmente nova no lugar de reabilitar a antiga EB 2/3 de Caldas das Taipas e sublinhou que que não há paralelo em nenhum município do país da realização de um investimento na área educativa desta envergadura.

Aproveitou ainda o momento para exprimir duas preocupações quanto à versão final do projeto de requalificação do centro da vila: “A primeira de natureza patrimonial. O projeto continua a prever a destruição do romântico, e singular muro empedrado ao longo da Avenida da República, com bancos encastrados, espaço de estar, de descanso para os mais idosos. Prevê a sua substituição por um muro impessoal e de betão que não se compreende e merece a nossa discordância. Sabemos vossa excelência defensor do património e acreditamos que tudo fará para que em obra esta memória viva, atual e útil se mantenha.”

A segunda relacionada com o estacionamento ou com a falta dele: “O Município delineou como estratégia a construção de bolsas de estacionamento periféricas aos centros urbanos, que permitam o acesso pedonal a uma distância máxima de cinco minutos. No trabalho que temos vindo a desenvolver foi reconhecido pelo senhor vereador do Urbanismo a necessidade de dar resposta à problemática da falta do estacionamento. Para tanto, os técnicos do município em conjunto com a Junta de freguesia identificaram três terrenos do domínio privado que se constituem como espaços possíveis para instalação das referidas bolsas. É, por isso, necessário adquirir e construir esse estacionamento público, sob pena requalificarmos o centro da vila, tornando-o um espaço de excelência, atrativo, mas de difícil acesso aos cidadãos.”

Ainda sobre a requalificação do centro da vila, anunciou que no próximo dia 27 de junho, em vésperas de S. Pedro, o presidente da Câmara levará a reunião do executivo a intenção de abertura do procedimento concursal. Sendo expectável, nas suas palavras, que entre o final do ano de 2019 e o início do ano de 2020 arranque a obra.

Já Manuel Ribeiro pela bancada da coligação Juntos por Guimarães quis refletir sobre o que é que é isso de povoação com categoria de vila e o que tal significa para as suas gentes de hoje e do futuro.

Começou por sinalizar a falta de homenagens a pessoas e ou instituições da vila bem como a ausência de inaugurações no dia marcante da vila. Sinalizou ainda que refletir sobre a vila de Caldas das Taipas é pensar ordenadamente, sistematicamente no seu futuro; é ver o além, no tempo e no espaço.

Acessibilidades, Rio Ave e Centro da vila, os mesmos problemas de sempre

A coligação Juntos por Guimarães elencou as questões que considera incontornáveis e que dizem teimar em trazer para a agenda da discussão política, mas que infelizmente, continuam a ser as mesmas de há uns bons anos. São elas: as acessibilidades à vila e à região norte do concelho; é o Rio Ave e a sua zona ribeirinha e o centro da vila.

Manuel Ribeiro aponta como uma realidade irrefutável que a ligação viária à sede do concelho é deficiente dizendo que é amplamente admitido que a não construção e consequente inexistência de uma ligação direta das Taipas à auto estrada é um fator, na sua opinião, de desqualificação das Taipas e desta região norte. Quanto à via prevista dedicada do Avepark, repete o que tem defendido, nada resolve às Taipas e vai provocar o isolamento da vila e o seu definhamento.

Continuando a sua reflexão, disse ser urgente, também, requalificar toda a zona ribeirinha e que o Rio Ave renasça como uma fonte mobilizadora de atração única num concelho que não apresenta um leito de água igual. E claro, a requalificação do centro da vila, dizendo que não se pode aceitar de forma leve e irrefletida um projeto por mais “bonito” que ele se apresente.

Os heróis do poder local durante os primeiros anos de democracia

Augusto Mendes assumiu as despesas da bancada do Partido Socialista e começou por enaltecer o fervilhar da vila enunciando as várias atividades que vão acontecendo por estes dias. Nas suas palavras uma vila numa ebulição digna de registo e que alegra os olhos de quem tem o prazer de saborear o momento.

Para o socialista é incontornável importância que tem um poder local forte e focado na efetiva melhoria da qualidade de vida das populações e evocou o papel de autarcas no passado que com poucas condições fizeram muito, dizendo: “Tivemos, e devemos honrar, presidentes de junta que andaram pelas suas próprias mãos a colocar água potável à porta da casa das pessoas. Tivemos muitos outros, eleitos ou voluntários, com suas mãos a melhorar caminhos de gente que não conseguia entrar em casa sem ser com lama até aos joelhos. Tivemos gente comum, de associações e outras instituições que ajudaram a dar as mais básicas condições de higiene e saúde pública a uma população que não a tinha. Tivemos gente que honrou de forma extraordinária o poder local. Forem esses os heróis do poder local durante os primeiros anos de democracia onde tudo faltava menos a vontade de ter uma comunidade melhor”.

Caldas das Taipas, um motivo de orgulho

No último discurso da noite proferido pelo presidente da Assembleia de Freguesia, Sérgio Araújo, este começou por relembrar o que tinha dito no 78.º aniversário quando referiu que apesar da importância industrial, termal e científica que Caldas das Taipas assumia no panorama concelhio e nacional, seria necessário fazer algo mais.

Passado um ano, na sua opinião, isso está a acontecer, dando o exemplo das obras levadas a cabo pela Câmara Municipal no centro escolar taipense, do trabalho de recuperação e preservação de alguns dos muitos jardins da vila que a Junta de Freguesia tem executado.

Contudo, o presidente da Assembleia de Freguesia referiu qua há obras que ainda não saíram do papel dando o exemplo da requalificação de centro cívico da vila e neste ponto disse esperar que passe a realidade muito brevemente, mas não uma realidade a qualquer custo. Incitou a Câmara Municipal a considerar todos os contributos que os taipenses, quer individualmente, quer através da Junta de Freguesia, foram fazendo chegar.

Também enalteceu o que considera ser a copiosa e fervilhante vida associativa e institucional vibrante e inspiradora na vila. Depois invocou o orgulho que sente de poder falar país e mundo fora, das coletividades, associações, instituições, algumas centenárias, outras mais jovens, mas todas elas com histórias de sucesso, cheias de iniciativas, galardoadas dentro e fora de portas. Deu o exemplo do orgulho de ver nos ecrãs dos aviões da TAP a corrida das Taipas, a corrida que o NAT organiza atualmente nas Taipas.

Por último, apelou à união no seio da Assembleia de Freguesia, para que dentro das divergências que possam existir quantos aos meios, esta possa contribuir para o fim que une os membros que a compõe: o desenvolvimento de Caldas das Taipas.

Alguém disse: Viva as Taipas!

Os discursos na íntegra:
Luís Soares – Presidente da Junta de Freguesia
Manuel Ribeiro – Líder de bancada da coligação Juntos por Guimarães
Augusto Mendes – Líder de bancada do Partido Socialista
Sérgio Araújo – Presidente da Assembleia de Freguesia