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As Taipas no Verão
Quarta-feira, Setembro 26, 2007

As coisas públicas, como o próprio nome sugere, estão especialmente destinadas a serem usadas por um conjunto indiferenciado de pessoas. A existência de coisas públicas só faz sentido se a satisfação de necessidades colectivas o exigir.

Há desperdício quando existe a coisa pública e ela não se destina a satisfazer necessidades colectivas, ou porque não existem ou porque deixaram de existir.
Vem esta ideia a propósito de que, até há bem pouco tempo, havia um “slogan” da autoria da Câmara de Guimarães que dizia isto: “O Verão vale a pena em Guimarães”.
Neste momento, a propaganda é outra: “Traga a sua família e visite Guimarães”. Guimarães é “1 maravilha”.

Esta publicidade tenta chamar visitantes à cidade de Guimarães e estou certo que o primeiro “slogan” se dirigia aos habitantes do concelho e este último dirige-se, principalmente, aos forasteiros. Até aqui nada de mal, nada de novo e são de louvar as iniciativas.

O que transparece nisto tudo é que o concelho parece não existir: não existe Pevidém; não existe as Taipas; não existe Serzedelo, não existe todo o património arqueológico e arquitectónico espalhado pelo concelho. Existe a cidade e só a cidade. Aliás lindíssima, excepcional.

As coisas estão organizadas de molde a que em tempo oportuno hordas de aldeãos das freguesias do concelho se desloquem à cidade para aí beber a cultura, o desporto, o entretenimento e o espanto das realizações da Câmara.

Não partilho desse entendimento como já ficou bem claro em crónicas anteriores até porque é uma solução agressiva para o ambiente contanto que ainda não estão generalizados os automóveis a hidrogénio.

A Câmara de Guimarães está a tentar que o seu investimento nas coisas públicas sejam correspondidos em termos de utilização pública e de justificação dos investimentos.
Descontada a organização do cinema à noite, não houve um único evento que motivasse os Taipenses a permanecer nas Taipas durante o mês de Julho e Agosto.

A praia fluvial está extinta; o futebol de salão acabou; a piscina é cara comparativamente com as concorrentes vizinhas; com excepção das festas religiosas não há qualquer outro tipo de organizações.
Valha-nos o Parque de Lazer salvo das más frequências por amadores da Pétanca e Chincalhão, das caminhadas, das corridas e dos pique-niques.

O Parque de Lazer está a ficar pequeno. Necessita de mais terreno. A onda de exercício saudável contra as patologias do sedentarismo veio encurtar o Parque de Lazer. Está chegada a altura de o repensar. Os Taipenses, e não só, necessitam de um Parque adaptado às suas necessidades: maior que o existente; bem iluminado à noite; com bar e talvez uma esplanada no seu centro; e por que não um rio sem águas poluídas.

É pedir muito?