PUB
As perdas deveriam ser mais repartidas
Sábado, Abril 4, 2020

Supondo, por defeito, que, seguramente, a pandemia COVID 19 vai durar 2 meses; sendo certo que dois meses correspondem a 16.67% do PIB anual; e porque se mantêm a funcionar as empresas que fabricam e fornecem os bens e serviços essenciais, deverá esperar-se uma quebra no PIB na ordem dos 8 a 10%. O país vai empobrecer 8 a 10%.

É também certo que o desemprego vai disparar na mesma proporção, mais 100.000 a 200.000 desempregados;

Durante três meses, cerca de 1 milhão de trabalhadores portugueses vai ser posto no regime do chamado Novo Lay Off – suspensão do contrato de trabalho. Vai ter um corte no salário base mensal de 30%, o que dá, sensivelmente, num ano, a perda de um salário sem considerar o corte nos prémios e subsidio de alimentação, o que eleva a perda para valores superiores.

As vitimas deste estado de emergência serão a esmagadora maioria dos trabalhadores e os pequenos e médios empresários.

Agora, ao contrário da mais recente crise, não podem emigrar.

Numa época em que, e muito bem, o Primeiro Ministro A. Costa pede solidariedade à União Europeia porque é um problema de todos e todos têm de contribuir para o resolver, será que, mais uma vez, os servidores do estado serão os que vão menos sofrer com a crise que se avizinha; ou teremos um Primeiro Ministro corajoso, justo, com sentido de estado, que vai tomar medidas para mitigar a crise com a colaboração dos servidores do estado.

Tem que haver unidade nacional nos sacrifícios esperados.

Nunca é demais lembrar que os trabalhadores do sector privado também são gente e tão portugueses como os outros; de carne e osso; têm filhos, rendas e compromissos para pagar.

O Estado tem de ser equitativo: na altura de agir tem de canalizar recursos para quem fica praticamente desprotegido e à mercê da crise.