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As árvores e a floresta
Quinta-feira, Março 23, 2017

Chegou a Primavera, e com ela, o Dia Internacional da Floresta e o mote deste texto: as árvores e a floresta.

Comecemos pelas árvores, as “Árvores de Interesse Público”.

As denominadas Árvores de Interesse Público foram legalmente enquadradas por um decreto-lei de 1938, que visava a defesa e proteção de espécies vegetais que, pelo seu porte, desenho, idade ou raridade seriam merecedoras de cuidadosa conservação.

Em Guimarães, houve logo em 1940 duas classificações. O conjunto arbóreo da Cerca Conventual do antigo Mosteiro de Santa Marinha da Costa, e um sobreiro na Mata da Quinta de S. Cipriano em Tabuadelo. Esta, foi entretanto desclassificada, em 2006, por ter secado em consequência dos vários incêndios que percorreram o local.

Em 1953, o carvalho-alvarinho conhecido pela “Carvalheira do Regalo”, em Serzedelo, foi também merecedor desse estatuto. De acordo com a informação do sítio da internet do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), “este carvalho por se encontrar decrépito e por razões de segurança de pessoas e bens está em vias de desclassificação como árvore de interesse público”.

Mais de meio século passou até que novas árvores se juntassem a essa lista. Foi em 2011, foram vinte e três árvores e sete classificações.

Duas destas referem-se a cameleiras nos jardins do Palácio de Vila Flôr. Um ”magnífico conjunto de 8 cameleiras centenárias de grande porte e beleza, instaladas em torno de um plano de água” e um outro “conjunto de 10 cameleiras centenárias de grande porte e beleza, instaladas simetricamente em redor de uma fonte barroca”.

Ouras três classificações referem-se a árvores na envolvente do Paço dos Duques de Bragança. São dois monumentais plátanos e um castanheiro-da-índia. Este último está também em vias de desclassificação por ter caído em 2016, por ação de um temporal.

As duas classificações restantes são exemplares isolados: um cedro-do-himalaia, em Creixomil, “árvore de bom porte que confere beleza peculiar à entrada do cemitério e seu espaço envolvente”; e um pinheiro-manso, em Silvares, um “exemplar de grande porte que se destaca na paisagem, considerado um autêntico sobrevivente de uma antiga mata que aqui existiu antes da moderna expansão urbana da cidade de Guimarães”.

São estas as árvores monumentais de Guimarães que estão classificadas, mas como diz o ditado, não devemos tomar a árvore pela floresta. Assim, a A.V.E. – Associação Vimaranense para a Ecologia elegeu A FLORESTA como tema das Ecorâmicas (mostra de cinema documental) deste ano.

Será uma boa oportunidade para refletir sobre a Floresta que temos/queremos em Guimarães.

Até lá, reflitam nisto: para além da antiga mata de Silvares, que outros patrimónios terão sido (ou virão a ser) sobreviventes (ou vítimas) da moderna expansão urbana (ou progresso) de Guimarães?