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Árvores descartáveis
Quinta-feira, Julho 18, 2019

Num artigo que escrevi em Abril de 2018 a propósito das Árvores em espaços urbanos, terminava com uma interrogação que se tem mostrado pertinente pois continua a precisar de ser esclarecida. Perguntava eu: qual é a prática no planeamento e gestão das árvores em espaço urbano no nosso concelho?

De facto, e apesar de na candidatura a Capital Verde Europeia haver referência a um suposto Plano de Gestão para as Áreas Verdes, este, a existir, não está disponível para conhecimento dos munícipes, permanecendo oculta qualquer estratégia digna de coerência com o discurso “verde” da Câmara Municipal.

E permanece oculta tanto por não ser consultável em papel como por não ser discernível na prática. O que tem sido feito nesta matéria transparece uma actuação reactiva e pontual que parece ir de encontro a reivindicações e interesses de grupos, ao invés de serem acções estruturadas num plano estratégico que defenda o bem comum.

É essa a percepção que fica da recente intervenção do município na Alameda Alfredo Pimenta onde foram cortadas duas dezenas de árvores por alegadamente terem os seus troncos fragilizados por escaldões. Apesar de uma nota na comunicação social a atestar que era já uma acção programada, este corte surge após um alerta nas redes sociais e coincide com o corte dos arbustos do separador central e o início da instalação no local das diversões para as Gualterianas.

A aparente relação causou indignação em muitos munícipes mas também mereceu bastantes aplausos e reivindicações. A julgar pelas reacções e comentários nas redes sociais, a Câmara Municipal devia dar muito mais uso à motoserra, havendo sugestão de corte para árvores de fruto que sujam o chão e o torna escorregadio, árvores que largam “resinas” no chão ou no tejadilho dos carros e, claro está, árvores que largam “algodão”. A “consciência verde” vimaranense ainda tem muito para andar.

Uma outra acção (ou inacção) recente em árvores urbanas aconteceu nos terrenos públicos do futuro posto de abastecimento do Vitória junto ao pavilhão do INATEL. Um município que estima as suas árvores não pode permitir que dois magníficos e antigos exemplares sejam abatidos, mas sim exigir que o projecto para o local se adapte e acomode o espaço necessário para a sua sobrevivência.

Mais de um ano após a minha interrogação, continuo sem saber qual é a prática no planeamento e gestão das árvores em espaço urbano em Guimarães, mas tenho a convicção reforçada da necessidade do tal Plano de Gestão para as Áreas Verdes que possa, entre outras coisas, ajudar na educação ambiental dos adultos, explicando benefícios e constrangimentos das árvores, mas acima de tudo que passe uma mensagem forte e consistente de que as árvores não são descartáveis.