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  POLÍTICA   “Cântico Verde” (das Taipas)
Quinta-feira, Setembro 3, 2009

Não há estudante do secundário que não aprenda a declamar o poema “Cântico Negro” de José Régio – seja na disciplina de Português ou na de Filosofia. O poema “Cântico Negro” e, principalmente, o seu conteúdo, é uma referência estruturante na formação do espírito crítico, faceta basilar no desenvolvimento da personalidade e das capacidades, do indivíduo.
Começa assim:

“Vem por aqui – dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!

A mensagem imanente a todo o poema é um apelo ao desassossego, contra o conformismo, contra os instalados: é uma mensagem contra o seguidismo cego; contra os “olhos doces”. A minha revolta, se não estou enganado, é que o grito de pertinência plasmado naquele “Cântico” esteja a perder significado, principalmente, entre os mais jovens.

A lista concorrente à assembleia de freguesia do PS, já conhecida, é constituída por muita gente jovem. Esperava-se que esta gente jovem, e ainda por cima conotados com a esquerda, apresentassem ideias novas, novas atitudes, que fossem um sinal seguro de pertinência democrática e de inconformismo democrático. A mensagem que tentam passar repetidamente é a de que o Presidente da Junta das Taipas não tem nada que ter ideias, atitudes e iniciativas que sejam livres e autónomas na defesa dos interesses e aspirações dos Taipenses. Segundo eles, o Presidente da Junta, numa concepção de indignidade democrática que ofende a inteligência, deveria ser “o funcionário” do Presidente da Câmara: este dava ordens para as Taipas e aquele cumpria. Assim mesmo, sem ondas e sem reparos, num espírito “corporativista” que os defensores do “Estado Novo” se orgulhavam na sua execução.

– O Presidente da Junta não tem nada que querer o alargamento do Parque de Lazer porque isso é com a Turitermas e a Turitermas é do PS;
– O Presidente da Junta não tem nada que querer um Lar de Idosos porque isso é com o Centro Social Padre Manuel Joaquim de Sousa e essa é do PS;
– O Presidente da Junta não tem que mexer no “mercadinho” para a “Casa das Artes” porque esse espaço é da Câmara e a Câmara e do PS;
– O Presidente da Junta não tem que querer a requalificação do Bar do Taipas na Avenida da República, porque a câmara tem outras ideias para o local e pode esperar para desgastar a Junta de Freguesia;
– O Presidente da Junta não tem que se meter na vergonha dos “Banhos Velhos” porque esse edifício pertence à Câmara e a Câmara é do PS.

O retrato acima exposto é o das Taipas “made in Câmara de Guimarães”; onde o combate político/partidário está acima dos interesses e necessidades das populações.

Em suma, justificar os esquecimentos das Taipas, nestes últimos quatro anos, por motivos político/partidários não é estratégia política, nem é nada: é um crime que os Taipenses saberão julgar com sabedoria.
Termino com dois versos do poema citado:

“Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam os meus próprios passos…”

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