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  POLÍTICA   Mordomo 
Terça-feira, Julho 28, 2009

É vulgar ouvir vozes do povo dizerem que as festas da vila do tempo do Tino são as maiores de sempre e as que começam a tempo e horas.

Eu acho que o povo tem razão.

As festas da era de Tino são as maiores em duração. As deste ano, por exemplo, começaram a 6 de Junho e duram até aos primeiros dias de Julho. Isto é, cerca de um mês de festejos. E quanto a começarem a tempo e horas, manda a verdade seja dito que as iluminações, que é por onde o povo mede a execução, ficaram prontas antes da data prevista para início das festas, o que contrasta com o tempo de outras presidências de junta em que não raras vezes já as festas estavam a decorrer e ainda se viam os andaimes rolantes dos responsáveis pelas iluminações a circularem pelas ruas, procedendo aos últimos retoques.

Ora, sendo assim, não espanta que o povo credite ao Tino público mérito como “juiz das festas de S. Pedro”.

E, por consequência, ninguém pode ficar espantado por ele, nestes dias de folia colectiva, se mostrar mais presente nas ruas, fazer questão de acompanhar os eventos todos, circular entre tendas e barracas de telemóvel no ouvido falando alto como os moucos falam, gesticulando como roberto de saltimbanco. Ele sabe bem que este é o seu momento, a oportunidade para capitalizar uma notoriedade que lhe pode ser determinante na busca, legítima, do segundo mandato.

Os povos precisam de quebrar a rotina dos dias de sofrimento e angústia com espaços de alegria e retemperamento, para recuperar força e ânimo que lhes permitam enfrentar os desafios reservados pela vida aos deserdados. Não entender esta necessidade é não perceber o povo, é querer ser político sem visão política.

Questão bem diferente desta é questionar o tipo de festas.

Ou ainda, se o que as Taipas ganham com estas festas compensa o que elas custam aos moradores (e não há só custos financeiros, há custos ambientais, há o desconforto e os transtornos, naturais mas arreliadores).

A presença do Tino e demais membros da Junta em todo o lado e a qualquer hora do dia e da noite revela, indiscutivelmente, a importância que atribuem às suas festas de S. Pedro.

Mas revela também que as festas são a coroa de glória do mandato. O que, convenhamos, é muito pouco para quem tanto prometeu. E sobretudo é privilegiar o acessório em prejuízo do essencial.

Ninguém vai a votos para escolher quem faz as melhores festas, mas sim para eleger quem dá sinais de fazer mais obras e de por elas melhorar as condições de vida e a qualidade de vida. Para fazer festas o povo escolhe um mordomo, não um presidente de junta. Além do mais, fica mais barato.

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