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  POLÍTICA   Um Futuro Para Todos
Quinta-feira, Julho 2, 2009

Os tempos são de instabilidade muito por causa da crise económica mundial que teima em durar.

A Europa anda à procura de respostas. Ainda não assumiu que a crise vem do Oriente; e que, enquanto a China, a Índia, a Tailândia; Bangladesh e os mais que lá existem fizerem o chamado “dumping” social, a velha Europa e os EUA não terão a mínima hipótese de concorrer num mercado mundial livre de quotas aduaneiras. Dizem alguns que tal seria o regresso do “proteccionismo”. Dizem outros que assim não vamos a lado nenhum.

Uma das respostas à crise tem sido o curso acelerado de formação profissional com financiamento público, evitando assim, os despedimentos. Parece-me que tal medida, aparentemente idónea e defensável, não será mais do que o adiamento de um acumular de desempregados mais qualificados. Saem hordas de licenciados, todos os anos das faculdades, para o desemprego e nem por isso tem havido medidas destinadas a esse segmento.

A actual situação faz-me lembrar um país como Cuba onde a percentagem de licenciados dentro da população é altíssima há muitos anos; e nem por isso deixa de ser um país pobre, subdesenvolvido e sem esperança, donde aqueles que encontram a autorização de saída, saem e não voltam mais.

Quero com isto dizer que a formação superior da população não é condição suficiente para que o país encontre a rota de um crescimento e desenvolvimento. É necessário mais. São necessários investimentos privados; investimento produtor de bens e serviços que se destinem à exportação; com esse investimento cria-se emprego e absorve-se a massa de licenciados que se vão formando todos os anos.

Para haver investimento – risco – é necessário que o estado, Central e Local, crie as condições para que seja atractivo investir.

Este Estado, governo Sócrates, que tem tratado os empresários, do mais pequeno ao maior, por gente não recomendável – atente-se as alterações das leis fiscais que não param; atente-se a desigualdade entre o contribuinte e o estado em caso de litigio fiscal; atente-se no reembolso, demasiado tardio, do IVA. E mais, e mais…

Agora, considerem o preço da electricidade – a mais cara da Europa; Os combustíveis: os mais caros da Europa em termos relativos; As auto-estradas: as mais caras da Europa.
A Internet e as comunicações móveis – dos mais caros da Europa. A acção executiva cujos custos são assegurados, em primeira linha, pelo exequente; O preço das custas judiciais.

Juntem, agora, àqueles factores de produção e de contexto, terrenos para construção industrial – pelo menos os bens servidos por boas vias de comunicação – de preço altíssimo; as licenças camarárias de preço proibitivo, e teremos uma salada de factores de produção de aspecto intragável que um empresário de bom senso foge a bom fugir.
Quem quer investir em Portugal com aquele quadro de factores: a resposta – ninguém – é a mais provável.

A Espanha, a Irlanda e outros parceiros de Portugal na União Europeia irão sair da crise e ressurgir a crescer; enquanto nós, continuaremos a marcar passo sem poder fugir de um Estado que nos assalta, todos os dias, para poder continuar a manter a máquina estatal.

Enquanto o Estado, central e local, continuar a ser o grande sorvedouro da riqueza gerada em Portugal, este país não terá futuro ao lado dos mais desenvolvidos.

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