POLÍTICA   Sair do Dilema
Sexta-feira, Março 6, 2009

Alguém que chegue hoje à Vila e se dê ao trabalho de falar com as pessoas e de ler o jornal da terra e os blogues que sobre ela se escrevem com frequência, há-de concluir que em termos políticos sobressaem duas posições antagónicas: ou se está de cócoras com a sede do concelho e em articular com a Câmara Municipal de Guimarães; ou se está abertamente contra a sede do concelho e muito em especial contra a Câmara Municipal de Guimarães.

Como o passado demonstra, estar completamente alinhado com as posições da maioria governativa da Câmara acarreta a completa subordinação aos interesses desta e a substituição de uma lógica desenvolvimentista própria pela lógica, e sobretudo, o ritmo daquela.

Mas abordar as questões da Vila como se ela não dependesse política e orçamentalmente da sede do concelho, pode eventualmente satisfazer a clientela mais aguerrida e agressiva, sem que daí possa resultar outra coisa que não o isolamento crescente e o subdesenvolvimento.

A maioria que governa a Vila apresentou-se aos eleitores com um programa que excede em muito as suas capacidades financeiras, confundindo-se com as capacidades próprias de uma autarquia de nível superior – o município.

Quem consultar o documento então distribuído e o reler à luz da prática de quase quatro anos de mandato, vai constatar que com exclusão de pequenos arranjos o grosso do contrato feito entre o PSD e a população das Taipas está por cumprir e já não vai ser cumprido. E não foi cumprido nem vai ser cumprido em áreas que a Junta tinha de trabalhar em articulação com a Câmara, porque dela dependentes por lei, mas também porque os prometidos investimentos privados não apareceram e não vão aparecer. Restam as festas disto e daquilo como obra realizada, mas isso conta pouco para o desenvolvimento da Vila e para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Depois de anos a fio em que a Junta foi pouco mais do que o ventríloquo de Guimarães, mas com alguma obra feita para mostrar, seguem-se quatro anos de muita algazarra, muita bazófia, muita arrogância que apenas serviram para satisfazer ressentimentos pessoais e dar curso aos sentimentos legítimos mas inócuos de um sector da população que sonha com o concelho ainda que isso implique, como está a implicar, cuspir no prato onde come.

A vida demonstra ser falso o dilema entre estar de joelhos ou ser protestante inconsequente. As Taipas não podem estar de mal com Guimarães por amor a um sector reivindicativo, nem podem estar de cócoras com Guimarães por fidelidade ao partido. Entre uma e outra posição há a atitude responsável que respeite e se faça respeitar.