PUB
  POLÍTICA   Um estado cansado
Sexta-feira, Março 6, 2009

Já estou farto de ouvir o Primeiro Ministro José Sócrates. Todos os dias aparece a anunciar uma medida para isto e para aquilo. É o ímpeto reformista para ficarmos ainda pior. Agora, sabe-se, que a inauguração de uma estrada custa a módica quantia de € 500.000,00: garante-se que não é dinheiro saído directamente do erário público.

Há quatro anos prometeu e anunciou a criação de 150.000 postos de trabalho líquidos; prometeu e anunciou o crescimento médio do PIB em 3% ao ano; anunciou uma baixa do desemprego.

Passados quatro anos, os portugueses estão a morrer de pessimismo e de desesperança.

Muitos dos portugueses emigraram e reemigraram; fecharam milhares de pequenas empresas; o número de pessoas a viver à custa dos impostos e das contribuições não pára de aumentar: seja de reformas; fundo de desemprego; subsidio social de desemprego; rendimento mínimo de inserção; das baixas médicas fraudulentas.

E os números não são assim tão maus como isso – dizem eles com “olhos doces”. Os números, os números… Ninguém paga com números; ninguém sobrevive com números; ninguém ganha o futuro só com números. E é isso que ele nos dá. E fala, e discursa, e fala outra vez e discursa sobre um orçamento de estado irresponsável, irrealista, que prevê uma cobrança de impostos superior a 2008 em cerca de 7%.

Mas onde está esse dinheiro?

Nas empresas que fecham todos os dias; nos bancos que apresentam descidas significativas dos lucros; nas compras que os portugueses cada vez menos fazem?

Será que os portugueses serão todos uns parvos, que não percebem que o país está mal; que não crescíamos como os nossos congéneres europeus quando estes nos compravam o que produzíamos; que eles já compram menos; que o nosso crescimento depende deles; que as nossas industrias de peso exportadores não vendem (não produzem) metade daquilo que vendiam, a Auto Europa, a Quimonda, a Citroën, e outras ligadas ao automóvel; e que por isso os tempos que aí vêm são de uma dificuldade extrema.

Vem agora o Primeiro Ministro anunciar benefícios para as empresas que empreguem desempregados com mais idade; que criem postos de trabalho; reduzir ao IRC até aos 12.500 euros de lucro. Reconhecendo assim que esses benefícios são potenciadores de investimento, criação de emprego, produção de riqueza. Constatado este facto pergunta-se: por que é que não se fez mais cedo isso? O défice? Reduza à despesa pública, é o cancro de Portugal, que não pode absorver cerca de 50% da riqueza produzida em Portugal.

A viabilidade de Portugal passa pela viabilidade do próprio estado (central e local). O estado, na sua acepção ampla, tem que ser produtivo e os serviços que presta tem que ter um altíssimo rácio de qualidade/preço. Se o estado desse esse sinal inequívoco de produtividade seria o acelerador de toda a economia. Para isso tinha de emagrecer para poder andar mais rápido e melhor.

26