POLÍTICA   Chamem a polícia
Sexta-feira, Fevereiro 6, 2009

Nem o aprofundamento da crise financeira e económica, nem a telenovela Freeport são capazes de desviar a atenção dos taipenses dos capítulos sobre os crimes de abuso de confiança cometidos por naturais e adoptivos nas instituições de que fazem parte.

O caso mais recente é o da funcionária da Junta que não foi capaz de explicar o paradeiro do dinheiro que recebeu e não aparece nas contas da freguesia. Consulta-se o auto e aperecebemo-nos da desorganização dos serviços por ela chefiados. Os documentos de suporte não eram conferidos e muito menos controlados pelos tesoureiros. Nem os comprovantes contabilísticos nem os lançamentos eram acompanhados pelo tesoureiro, o que originava a situação bizarra e potencialmente perigosa de permitir que alguém acumulasse funções de recebedor de dinheiro, sua contabilização, ou não, e seu depósito bancário, ou não.

A secretaria da Junta era, como se percebe facilmente, um lugar que convidava a desvios, desfalques e toda a variedade de gamanços que tentam os menos sérios ou os mais aflitos de mão leve.

O que a chefe da secretaria fez não se faz e merece reprovação e castigo. Mas até que ponto o facilitismo ou negligência dos responsáveis políticos pelo pelouro deviam ser avocados ao processo de averiguações, porque sendo certo que a sua responsabilidade é meramente política e não técnica, a verdade é que por desconhecimento, ignorância ou laxismo nada fizeram para se certificarem da exactidão dos recebimentos e pagamentos, o que não abona seu favor.

Diz-se que estão na forja novos processos. Se há razão para eles, que se façam e quanto mais cedo melhor para que não apreça por aí ninguém a dizer como o outro que é perseguição política ditada pela vizinhança das eleições.

Mas a bem da imparcialidade dos mesmos sugere-se aos defensores de tal ideia que solicitem humildemente a intervenção de uma empresa de auditorias especializada e não de um advogado escolhido e pago pela Junta. Mais se sugere que as contas a auditar respeitem pelo menos o mandato passado e o presente. Só dessa maneira se evitam suspeitas de processos de averiguações talhados à medida das ambições políticas do PSD da Junta e se colhem ensinamentos para organizar a secretaria introduzindo as boas práticas da contabilidade organizada.

Sem perder de vista a crise e o caso Freeport/Sócrates, observemos com atenção o que se passa cá por casa. Só assim podemos fazer justiça na hora certa.