Há diferença entre métodos naturais e meios contraceptivos?
Domingo, Dezembro 2, 2001

Agora, começamos um novo capítulo: sobre meios contraceptivos e métodos naturais. Tratando-se de uma área muito específica e que exige conhecimentos técnicos, recorremos à colaboração de um médico italiano: Mario Campanella.
1. Qual é a diferença entre métodos naturais e meios contraceptivos?
Método é uma palavra que deriva do grego e significa: ca-minho através do qual se atinge um determinado fim.
Meio é uma palavra que deriva do latim e significa: instrumento.
Os métodos naturais são um caminho que a mulher (e o homem de certo modo) percorre para saber em que dias do mês ela é fértil e em que dias não o é. Consequentemente, se a mulher usar os métodos naturais, sabe com precisão em que dias é possível o concebimento e em que dias não é possível. A mulher, neste caso, não tem medo da própria fertilidade porque conhece os seus ritmos.
Os meios contraceptivos, ao contrário, não são um caminho que leva ao conhecimento do próprio corpo e da própria fertilidade. Quem os usa não conhece os ritmos da fertilidade, mas procede “às cegas”. Os meios contraceptivos, de facto, são instrumentos técnicos (farmacológicos, mecânicos ou químicos) que procuram abolir a fertilidade. O ridículo está nisto: é que a mulher, não conhecendo os ritmos da própria fertilidade, usa os meios contraceptivos também quando não é fértil. Além disso, a mulher tem medo da própria fertilidade, da qual, na prática, não sabe nada.
2. Para que servem os métodos naturais e para que servem os meios contraceptivos?
. Os métodos naturais servem para fazer com que os cônjuges, conhecendo com precisão o estado de fertilidade da mulher, possam optar por “procurar o concebimento” através da relação conjugal praticada na fase fértil, ou de “reenviar (adiar) o concebimento”, praticando a relação conjugal só na fase estéril.
. Os meios contraceptivos servem para fazer com que se possa praticar a relação sexual sem que a ela possa, presumivelmente, seguir o concebimento.
3. Quais são as consequências do uso dos métodos naturais e quais são as consequências do uso dos meios contraceptivos?
. As consequências do uso dos métodos naturais são muitas. Os métodos naturais:
– favorecem a livre opção dos esposos, que, na base de um claro conhecimento da fertilidade, decidem procurar ou reenviar (adiar) o concebimento;
– respeitam a pessoa em si própria e a do partner;
– respeitam o processo unitivo do acto sexual, que (para que seja amoroso, alegre, belo, gratificante…) deve ser efectuado segundo a natureza;
– favorecem o diálogo e o amor oblativo;
– levam os cônjuges a aceitarem-se como são naquele determinado momento (“acolho-te assim, tal como és”).
Em relação a esta última consequência, basta pensarmos naquilo que acontece na prática: quando se opta pelos métodos naturais, o esposo deve per-guntar muitas vezes à esposa: “Então, como és hoje?”. E isto facilita muito o diálogo íntimo.
. As consequências do uso dos meios contraceptivos são, pelo contrário, bem diferentes. De facto, os meios contraceptivos:
– podem provocar, sobretudo se forem de tipo farmacológico, sérios danos à saúde;
– levam os cônjuges a dar mais importância à quantidade dos actos sexuais do que à sua qualidade;
– formam os partners para a psicologia da possessão, cada um dos dois quer (ou deseja) possuir o corpo do outro para tirar dele gozo e prazer egoisticamente(consumismo sexual);
– revelam nos cônjuges uma mentalidade não aberta à vida, que é o dom fundamental e, por isso, maior que se possa dar aos filhos;
– não respeitam o processo unitivo do acto sexual (coito interrompido) e a relação directa dos corpos (profilático);
– revelam uma mentalidade anti-ecológica, porquanto não respeitam a natureza;
– revelam falta de qualidade e de respeito na relação sexual;
– formam o homem para a mentalidade do não acolhimento (ele, sem dizê-lo expressamente, subentende esta posição: “Nestes dias é possível que tu possas ser fecunda! Não gosto de ti assim. Não te quero assim. Não te acolho como és. Torna-te infecunda, porque eu tenho necessidade do teu corpo”);
– habituam os cônjuges a olhar mais para o próprio desejo egoístico do que para o dom de si próprios e para o acolhimento do outro.
Deve acrescentar-se que a atenção à quantidade das relações leva muitas vezes os esposos a praticar a masturbação recíproca: que é um acto contra a natureza da relação e revelador de uma grave imaturidade sexual.